Em período de pré-campanha, João Campos e Raquel Lyra mantém "guerra fria" em meio a chuvas

Cynara Maíra | Publicado em 04/05/2026, às 08h29 - Atualizado às 09h46

João Campos e Raquel Lyra adotaram tons políticos implícitos ao longo da situação das chuvas - Divulgação- Janaína Pepeu/Secom
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Apesar do meio político dar uma pausa nos discursos explícitos de pré-campanha, nenhum dos lados entrou em trégua direta durante esse fim de semana de fortes chuvas em Pernambuco

João Campos reforçou ligação com o Governo Lula e estadualizou atuação

Fora da Prefeitura do Recife, João Campos (PSB) pareceu focar em mostrar ao eleitor como seria uma eventual gestão como governador, ao contatar o presidente Lula (PT) para pedir ajuda na situação de emergência em Pernambuco. O socialista também coordenou uma reunião com prefeitos aliados e o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros. 

Além de João e Marcílio Régio estiveram online os prefeitos de São Lourenço da Mata, Ipojuca, Vitória de Santo Antão, Abreu e Lima e Timbaúba, todos aliados do ex-prefeito do Recife. 

O socialista parece ter focado na aliança com o presidente Lula. Com o apoio oficial do PT, João tem a vantagem de ser o nome oficial da legenda na disputa pelo Governo de Pernambuco, o que utilizou para articular auxílio federal aos municípios de prefeitos ao seu lado. 

Lula também citou João Campos em sua primeira fala sobre as tragédias causadas pelas chuvas em Pernambuco: 

"Conversei hoje pela manhã por telefone com o ex-prefeito João Campos e o senador Humberto Costa sobre as fortes chuvas que caem no Grande Recife e em outras regiões de Pernambuco. Determinei imediatamente o pronto apoio federal às autoridades locais. O ministro da Integração Regional, Waldez Góes, acionou a Defesa Civil Nacional para prestar todo suporte às cidades atingidas, Inclusive com o reconhecimento da situação de emergência e o deslocamento de técnicos para a área. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também mobilizou a Força Nacional do SUS no atendimento às vítimas. O Governo do Brasil segue acompanhando a situação para prestar toda a ajuda necessária", afirmava o primeiro comunicado do líder do Executivo Nacional. 

Waldez Góes, inclusive, estará no Recife na tarde desta segunda-feira (04) após visitar a Paraíba, estado também afetado pelas chuvas. 

A situação também serviu para que João Campos pontuasse a mudança de posição, deixando as ações do Recife para o seu ex-vice, o prefeito Victor Marques (PCdoB), e focando no estado. 

O prefeito do Recife assumiu diretamente a função administrativa da capital e formalizou um pedido de 475 milhões de reais ao Governo Federal para obras do Novo PAC. 

Raquel defende ações do governo e critica gestões anteriores

Como gestora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) precisou correr para lidar com a crise ao redor do Estado. Para mostrar celeridade nas ações de segurança nos municípios, a governadora, a vice Priscila Krause (PSD) e o restante da equipe do Governo se dividiram entre os diversos focos de deslizamentos e alagamentos em Pernambuco. 

Em meio a pronunciamentos, reuniões e vistorias, Raquel também alfinetou o PSB ao ser questionada sobre a atuação do Governo de Pernambuco.

Usando a mesma narrativa que cita desde 2023, a gestora comparou sua atuação com a de governos anteriores em Pernambuco. Raquel chegou a dizer que "no passado, a Defesa Civil de Pernambuco foi alvo de diversas operações da Polícia Federal em épocas de reconstrução". 

"Em vez de estar utilizando o dinheiro para a salvaguarda da população nas cheias de 2012 e 13, o que era feito não foi tão bom assim. Então o que a gente fez foi fazer diferente. Estamos trabalhando, já entregamos 25 mil casas aqui em Pernambuco, trabalhando regularização fundiária, construção das barragens prometidas na Zona da Mata Sul. Eram cinco. A gente já entregou uma delas, uma foi entregue em 2018 e estamos em construção com mais duas, pedindo ao Governo Federal que nos autorize a começar a obra da terceira. E estamos trabalhando em obras que vão começar agora", disse Raquel Lyra.

As cheias de 2012 e 2013 ocorreram no segundo mandato do pai de João Campos, o ex-governador Eduardo Campos. 

A governadora usou a coletiva para citar o processo que está no Tribunal de Contas para liberar a dragagem do Rio Beberibe como uma nova ação de sua gestão. 

Raquel também relatou que o governo não trabalha apenas no período de chuvas para garantir estabilidade e prometeu que a contenção da encosta de Jardim Monte Verde, no qual morreram 43 pessoas em 2022, será entregue ainda em maio

"Com o concurso que a gente fez dos bombeiros, com o equipamento que a gente deu. Se você imaginar que quando houve cheias, a última cheia que houve, tinha quatro barcos, hoje a gente tem 26 que estão atuando com jet ski [...] Morreram 43 pessoas em 2022 no Jardim Monte Verde. É a maior obra de encosta do Brasil, nós vamos entregar ela agora em maio. São mais de 60 milhões de reais de investimento do Governo de Pernambuco. Eu tive sobrevoando ela ontem, graças a Deus ali a população já não sofreu mais. Então é um trabalho que não para e ele carece de muito mais dinheiro e projetos", afirmou. 

Situação de Pernambuco após as chuvas

A governadora Raquel Lyra declarou situação de emergência para 27 municípios de Pernambuco e informou que mais de 9,4 mil pessoas estão fora de casa (7,7 mil desalojados e 1,7 mil desabrigados). Até o momento se somam seis óbitos. 

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