Em debate no PodJá, Rinaldo Júnior e Felipe Alecrim confrontam visões sobre a gestão do Recife e o Governo do Estado

Cynara Maíra | Publicado em 01/08/2026, às 10h08 - Atualizado às 10h35

Rinaldo Júnior e Felipe Alecrim participaram de debate entre Felipe Alecrim e Rinaldo Júnior - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com
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O PodJá- O Podcast do Jamildo promoveu um debate entre o líder da bancada do PSB na Câmara do Recife, Rinaldo Júnior, e o líder da oposição, Felipe Alecrim (Novo) que irá ao ar neste sábado (01) às 14 horas no canal do Jamildo.com no Youtube.

 Os vereadores, que são pré-candidatos à Câmara dos Deputados, expuseram divergências sobre as administrações do ex-prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD). Rinaldo apoia Campos, Alecrim está ao lado de Lyra. 

Apesar de algumas alfinetadas, o debate focou em fatos e propostas de ambos os lados, com respeito de ambos os lados. O tom geral do encontro permaneceu concentrado em números, obras e no desempenho de serviços da capital e do estado.

Ambos apresentaram propostas, mas um dos focos do debate foi nas críticas às gestões rivais, com críticas ao mandato de João Campos no Recife e a atuação da governadora Raquel Lyra no Governo do Estado. 

Saúde e modelo de gestão em xeque

Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

 

A discussão iniciou com a avaliação da saúde pública na capital e no estado. Felipe Alecrim apontou falhas estruturais nas unidades de saúde administradas pela Prefeitura do Recife. O parlamentar citou a escassez de profissionais de medicina, a falta de insumos e a demora na marcação de exames. Ele criticou a aplicação de recursos em propaganda institucional em detrimento de investimentos nos postos de atendimento.

"Todos os dias qualquer vereador recebe denúncia de estrutura de equipamento público voltado aos cuidados da saúde. É todos os dias a gente recebe denúncia de pessoas que não conseguem agendar atendimento médico", declarou Felipe Alecrim.

Rinaldo Júnior defendeu o legado da gestão municipal na área e relembrou a entrega do Hospital da Criança. Ele argumentou que a prefeitura elevou a cobertura da Atenção Básica de 58% para 82% do território do Recife e reformou 78 unidades com horário estendido de funcionamento.

"A maior obra dos últimos dez anos na saúde foi da prefeitura da cidade do Recife, com a entrega do Hospital da Criança. Propaga quem faz", afirmou Rinaldo Júnior.

Concessões de serviços, creches e moradia

O debate avançou para o tema das parcerias público-privadas e obras de infraestrutura. Felipe Alecrim levantou ressalvas sobre os contratos de creches parceiras firmados pela prefeitura e criticou aditivos de prazo e custos em obras como a requalificação da orla de Boa Viagem. O oposicionista defendeu a criação de um modelo de cupom para viabilizar vagas no ensino infantil privado como solução para a fila de espera.

Rinaldo Júnior rebateu os questionamentos apontando a criação de 12 mil vagas em creches durante cinco anos de mandato, comparando com o histórico de seis mil vagas geradas nas quatro décadas anteriores no município. Ele citou também o avanço em programas de moradia, informando a entrega de oito conjuntos habitacionais e a contratação de seis mil unidades.

Sobre as acusações de desajustes em licitações e obras atrasadas, Rinaldo explicou que aditivos contratuais são instrumentos previstos pela legislação e acompanhados pelos órgãos de fiscalização.

Palanques para 2026 e a situação do transporte

Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

 

Os parlamentares debateram a mobilidade urbana e as alianças partidárias. Rinaldo Júnior defendeu a implantação da tarifa zero no sistema de transporte coletivo do Recife, apontando a reordenação dos subsídios e da folha salarial dos trabalhadores como caminho para custear a gratuidade.

Ele disse que o alinhamento exclusivo do ex-prefeito João Campos é com o presidente Lula (PT) e que a governadora Raquel Lyra agregou a base do PL em seu palanque.

"A governadora Raquel Lyra tirou a máscara. Ela agora tá no campo bolsonarista. O PL praticamente tá todo dentro do governo Raquel Lyra. Quem vota hoje em Raquel Lyra, vai votar na base bolsonarista em Pernambuco. Tá bem claro, não tem mais o que esconder. O palanque dela é o palanque dos bolsonaristas aqui em Pernambuco", disse. 

Felipe Alecrim destacou a necessidade de o transporte público ter eficiência e disse que a frota de ônibus e o trânsito da capital seguem entre os piores do país. O líder da oposição reafirmou que o Novo mantém pré-candidatura própria à Presidência da República com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema.

PSB defende Restaurantes Populares e criação do Banco de Alimentos

O vereador Rinaldo Júnior argumentou que o combate à fome é uma das diretrizes do seu mandato e listou ações da gestão municipal voltadas à segurança alimentar. O socialista lembrou a operação de dois Restaurantes Populares na cidade, que fornecem 1,6 mil refeições diárias para pessoas em vulnerabilidade social.

Rinaldo ressaltou a autoria do projeto de lei que originou o Banco de Alimentos do Recife, equipamento construído na Avenida Norte para receber e redistribuir doações de suprimentos.

"Os dois Restaurantes Populares que o Recife tem entregam 1,6 mil refeições todos os dias. Isso é combate à fome direto na ponta. O outro equipamento é o Banco de Alimentos, um projeto de nossa autoria na Câmara Municipal", declarou Rinaldo Júnior.

O líder do governo rebateu as críticas sobre os abrigos municipais ao pontuar que a dependência química é um problema de saúde pública que exige a ação integrada dos governos municipal, estadual e federal.

Divergência sobre alíquotas de tributos para empresas de apostas

Durante o bloco focado em desenvolvimento econômico, os vereadores discutiram a aprovação de leis tributárias na Câmara do Recife. Felipe Alecrim criticou a votação que fixou a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) em 2% para empresas de apostas virtuais (bets) na capital. O oposicionista afirmou que votou contra a medida por entender que a atividade traz prejuízos à saúde financeira e mental das famílias.

"O ex-prefeito João Campos reduziu em 60% os impostos de bets aqui na cidade do Recife, mas não tem incentivo fiscal para empresas que fornecem serviço e equipamento para a área de tratamento oncológico", acusou Felipe Alecrim.

Rinaldo Júnior justificou que a definição do tributo atendeu a uma regulamentação nacional estabelecida pelo Congresso Federal. O vereador explicou que a fixação do imposto permitiu que o município passasse a arrecadar sobre a operação dessas empresas, que antes funcionavam sem recolher taxas para os cofres locais.

"Houve uma regulamentação no Congresso. As bets não recolhiam nenhum recurso para os municípios e passaram a recolher. O voto no Recife apenas adequou a norma para garantir a arrecadação da cidade", argumentou Rinaldo Júnior.

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