Cynara Maíra | Publicado em 04/05/2026, às 11h43 - Atualizado às 12h56
O tema das chuvas no Recife foram o foco da sessão desta segunda-feira (04) na Câmara do Recife. Vereadores de oposição e de situação travaram um embate sobre a responsabilidade do poder público diante das mortes e dos desabrigados causados pelos temporais.
O estado de Pernambuco registra, até o momento, seis óbitos e mais de 9,4 mil pessoas fora de suas residências.
Ao longo dos discursos dos parlamentares, políticos de oposição responsabilizaram a gestão do Recife pelos problemas. Os políticos aliados do prefeito Victor Marques (PCdoB) citaram melhorias da gestão que teriam impedido mais estragos e defenderam o aumento dos investimentos nas áreas de encostas da capital pernambucana.
O vereador Eduardo Moura (Novo) classificou as mortes em Dois Unidos como "homicídios por negligência". Ele argumentou que o poder público ignorou requerimentos anteriores que alertavam para o risco de queda da barreira onde uma família faleceu.
Segundo o parlamentar, o gasto com propaganda entre 2021 e 2026 somou R$ 848 milhões, já os investimentos em drenagem ficaram em R$ 300 milhões.
A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) foi a primeira a discursar no plenário e também criticou o impacto desigual das chuvas nas periferias.
Jô afirmou que falta programas efetivos de prevenção nos morros e criticou as remoções de famílias sem garantias de moradia. O vereador Agora Rubem (PSB) falou sobre o drama de moradores de Passarinho e Dois Unidos que perderam móveis e eletrodomésticos.
O ex-aliado da gestão que declarou apoio para Raquel Lyra afirmou que a prefeitura prioriza obras de visibilidade, como letreiros turísticos (como o da geomanta no Ibura), em detrimento de contenções em ruas sem saída.
A bancada de situação rebateu as acusações e classificou as críticas como oportunismo político. O vereador Rinaldo Júnior (PSB) defendeu que o Recife atravessa o maior ciclo de investimentos em encostas de sua história. Ele citou a entrega de 154 obras de contenção que somam R$ 274,6 milhões. Júnior também acusou a oposição de "surfar na tragédia" em busca de ganhos eleitorais.
Já o vereador Júnior de Cleto (PSB) descreveu a chuva como um "dilúvio" que ultrapassa a capacidade de resposta técnica imediata. Ele sustentou que os investimentos feitos pelo ex-prefeito João Campos (PSB) evitaram um desastre ainda maior. De acordo com o parlamentar, intervenções recentes em córregos da Zona Norte garantiram a segurança de famílias que, em temporais passados, precisariam abandonar suas casas.
Diante do agravamento da crise, o prefeito Victor Marques (PCdoB) formalizou um pedido de R$ 475 milhões ao Governo Federal por meio do Novo PAC. O ofício encaminhado aos ministérios das Cidades e da Casa Civil solicita a liberação urgente de verbas para 35 intervenções em áreas de risco muito alto (R4).
A prefeitura alega que tem 38 projetos inscritos no programa, mas a União aprovou apenas três até agora.
No plano estadual, a governadora Raquel Lyra (PSD) manteve a postura crítica em relação às gestões anteriores do PSB.
Ela afirmou que o estado investiu R$ 444 milhões em encostas e prometeu entregar a obra definitiva de Jardim Monte Verde ainda em maio.
O ex-prefeito João Campos concentrou sua atuação na ponte com o Governo Federal ao contatar o presidente Lula (PT) e coordenar uma reunião com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil.
Após os seis falecimentos na Região Metropolitana do Recife, a Câmara aprovou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas das chuvas, identificadas como Maria Helena, Jaqueline, Riquelme, Bruna e Pietro. Um homem de 34 anos continua desaparecido na RMR.