Base de Raquel Lyra tenta aprovação da LOA mas é frustrada após bate boca com oposição, que anulou atos da manhã

Cynara Maíra | Publicado em 26/03/2026, às 11h02 - Atualizado às 11h42

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Em articulação rápida na manhã desta quinta-feira (26), a base governista da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) conseguiu aprovar o parecer final da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 na Comissão de Finanças.

O objetivo do grupo era também votar o projeto no plenário, mas foi frustrada pela oposição. O grupo liderado pelo PSB reagiu à tentativa, assumiu comando da sessão plenária e anulou a tentativa de votação final do projeto.

Aproveitando o esvaziamento tradicional das sessões de quinta-feira, os aliados do Palácio do Campo das Princesas abriram uma reunião extraordinária da Comissão de Finanças no próprio plenário. Sob a condução do deputado Antônio Coelho (União Brasil), o colegiado aprovou o parecer geral favorável ao texto original do Executivo.

A ideia do grupo era emendar a aprovação na comissão com a votação imediata no plenário principal, que estava sob a presidência momentânea de Aglailson Victor (PSD).

A movimentação governista gerou um bate-boca quando deputados da oposição chegaram às pressas ao local. O vice-presidente da Casa, Rodrigo Farias (PSB), subiu à Mesa Diretora e avocou a presidência dos trabalhos.

Farias anulou todos os atos da manhã e encerrou a reunião. O socialista utilizou o Regimento Interno para justificar a decisão, apontando que a pauta não cumpriu a exigência de publicação com antecedência mínima de quatro horas.

"Eu anulo todos os atos que foram votados e torno sem efeito por falta de publicação da Ordem do Dia", declarou Farias no microfone da Alepe. Antônio Coelho tentou apresentar um recurso ao plenário, mas o presidente da sessão negou o pedido.

O relator original da LOA na Comissão de Finanças, Diogo Moraes (PSDB), apoiou o bloqueio. O oposicionista afirmou que a base tentou burlar o regimento em um dia de baixa presença e lembrou que a Casa não realiza votações sem publicação prévia.

A invalidação da manobra gerou protestos dos aliados da governadora. Os deputados governistas acusaram o PSB de usar regras internas para travar a gestão estadual.

Com a sessão encerrada de forma abrupta, a tramitação do orçamento de 2026 continua travada. A Alepe convocou uma nova reunião plenária para a próxima segunda-feira (30).

O deputado Wanderson Florêncio (Solidariedade) afirmou que o atraso na aprovação do orçamento pode deixar o povo de Pernambuco sem medicamentos e insumos básicos. Antônio Moraes completou a crítica, avaliando que a limitação de remanejamento serve apenas para inviabilizar o governo de Raquel Lyra.

O embate envolve o Projeto de Lei nº 3694/2026. No texto, a governadora Raquel Lyra (PSD) pede autorização para realizar remanejamentos de até 20% do orçamento estadual após os deputados aprovarem na LOA um remanejamento de até 10%. 

 

 

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