Áudio de Flávio Bolsonaro repercute em Pernambuco, até com pedido de prisão

Jamildo Melo | Publicado em 13/05/2026, às 21h23 - Atualizado às 21h44

Foto do senador Flávio Bolsonaro na CCJ do Senado - Waldemir Barreto/Agência Senado
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O mais novo episódio do Caso Master repercutiu politicamente em Pernambuco. A vereadora do PT Kari Santos pediu a prisão do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro.

A vereadora protocolou nesta quarta-feira (13/05) uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, bem como sua prisão preventiva.

No documento, ela aponta que Flávio Bolsonaro teria intermediado recursos milionários do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a representação, há indícios de que os recursos utilizados teriam origem ilícita, ligados ao esquema financeiro envolvendo o Banco Master.

Além da apuração criminal, Kari pede que a PGR solicite documentos e informações bancárias sobre as operações citadas e ouça os envolvidos no caso.

“Não podemos normalizar relações obscuras entre agentes públicos e esquemas financeiros suspeitos. Quando há indícios de uso do poder político para intermediar recursos de possível origem ilícita, é dever das instituições agir com firmeza”, afirmou a vereadora.

Liana vai ao Ministério Público contra Flávio

A vereadora do Recife Liana Cirne protocolou representação no Ministério Público Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro pedindo a apuração de possível propaganda eleitoral antecipada e eventual abuso de poder econômico relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a ação apresentada à Procuradoria Regional Eleitoral em Brasília, a denúncia se baseia em reportagens que apontam que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme, após solicitação de Flávio Bolsonaro.

O documento menciona ainda que o montante negociado poderia chegar a R$ 134 milhões, envolvendo operações financeiras realizadas entre fevereiro e maio de 2025.

“Estamos falando de milhões de reais circulando para construir propaganda política antecipada disfarçada de filme. Se confirmadas as denúncias, Flávio Bolsonaro transformou uma produção audiovisual em máquina milionária de promoção eleitoral antes do período permitido por lei”, diz Liana.

Na representação, Liana argumenta que a obra audiovisual pode ter sido estruturada não apenas como produção cinematográfica privada, mas também como instrumento de promoção político-eleitoral em contexto de pré-campanha.

A peça sustenta que a participação direta de Flávio Bolsonaro nas tratativas financeiras, revelada por diálogos e áudios divulgados pela imprensa, justificaria a abertura de investigação pelo Ministério Público Eleitoral.

O pedido solicita a apuração da origem e da destinação dos recursos utilizados na produção do filme, incluindo contratos, investidores, empresas intermediárias e possíveis operações financeiras nacionais e internacionais. A representação também requer a oitiva de Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e demais envolvidos no projeto.

De acordo com a ação, caso seja comprovada finalidade eleitoral no financiamento da produção audiovisual, os fatos poderão ser enquadrados como propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico, conforme a legislação eleitoral e entendimentos recentes do Tribunal Superior Eleitoral.

Marília Arraes critica família Bolsonaro

A pré-candidata ao Senado Federal por Pernambuco, Marília Arraes, reagiu com indignação às revelações divulgadas pela imprensa nacional, nesta terça-feira, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as informações publicadas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro informal para a produção de um filme sobre o pai — episódio que gerou forte repercussão política e reacendeu críticas sobre a postura do bolsonarismo em relação à cultura brasileira.

Para Marília, o caso escancara uma contradição histórica do grupo político liderado pelo ex-presidente.

“É absolutamente revoltante assistir ao mesmo grupo político que passou anos atacando artistas, demonizando a Lei Rouanet e perseguindo a cultura brasileira recorrer agora a pedidos informais e imorais de financiamento para produzir propaganda em benefício próprio”, afirmou.

Ex-deputada federal e coautora das Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, iniciativas para a sobrevivência do setor cultural durante a Pandemia da Covid-19, Marília disse que o episódio comprova o caráter oportunista da relação do bolsonarismo com a cultura.

“O clã Bolsonaro sempre tratou a cultura com ódio, censura e perseguição. Tentaram destruir políticas públicas sérias, humilhar trabalhadores da arte e espalhar mentiras sobre mecanismos transparentes de financiamento cultural. Agora fazem exatamente aquilo que acusavam os outros de fazer”, declarou.

Marília também criticou o que classificou como um “projeto personalista de poder”, sustentado por interesses privados e pelo culto à imagem do ex-presidente.

“Quando a cultura é plural, popular e livre, eles a atacam. Mas quando serve para alimentar e financiar propaganda da extrema direita, estendem a mão sem qualquer constrangimento. A hipocrisia bolsonarista não tem limite”, disse.

A pré-candidata defendeu compromisso com políticas públicas transparentes, democráticas e voltadas ao interesse coletivo.

“Defendo uma cultura acessível ao povo brasileiro, incentivada de forma republicana e transparente, e não usada como instrumento de bajulação política ou promoção pessoal de quem passou anos incentivando o ódio e a destruição do setor cultural no Brasil”, concluiu, em informe ao site Jamildo.com.

Eleições 2026 Flávio Bolsonaro caso Master

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