Cynara Maíra | Publicado em 03/02/2026, às 10h51 - Atualizado às 11h27
A Câmara Municipal do Recife realiza nesta terça-feira (3) a sessão que define a admissibilidade do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB).
A Casa de José Mariano amanheceu em clima de guerra política. O autor do pedido, vereador Eduardo Moura (Novo), ocupou a tribuna para defender o relatório sob fortes vaias e gritos das galerias lotadas.
Samuel Salazar (MDB) defende que argumento de Eduardo é "vazio".
Durante fala de Salazar, ele apresentou um áudio do suplente de Eduardo, George Bastos (NOVO) falando que os manifestantes na frente da Câmara do Recife eram "mundiça". O político reiterou a declaração.
A maioria dos vereadores pediu para justificar o voto.
Em seu discurso, Eduardo Moura tenta convencer parlamentares da base governista e independentes a votarem a favor da abertura do processo. O parlamentar citou nominalmente vereadores, como Aderaldo Pinto (PSB), Chico Kiko e Liana Cirne (PT), na tentativa de angariar votos fora do núcleo duro da oposição.
"Será que a gente não deveria investigar o que aconteceu? Não é uma condenação, é uma investigação", disse Eduardo Moura. O vereador chegou a citar que considera que os parlamentares passavam por chantagem.
O ambiente no plenário é de polarização extrema. As galerias estão divididas entre apoiadores do prefeito e militantes da oposição.
O vereador Rubem (PSB), que assinou o pedido de impeachment mesmo sendo filiado à sigla do prefeito, tornou-se o principal alvo dos governistas, recebendo gritos de "Judas" e "traidor". Já Eduardo Moura foi recebido aos gritos de "fascista" ao iniciar sua fala.
A Câmara decide hoje se aceita ou arquiva a denúncia de crime de responsabilidade. O pedido baseia-se na polêmica nomeação de um procurador municipal.
O candidato, filho de um desembargador e de uma procuradora de contas, foi aprovado na 63ª posição na ampla concorrência, mas acabou nomeado na vaga de Pessoa com Deficiência (PCD) após apresentar um laudo de autismo tardiamente.
A prefeitura anulou o ato após a repercussão negativa e a intervenção da Justiça. A oposição, no entanto, sustenta que houve favorecimento e troca de influências, alegando que o pai do candidato arquivou processos de interesse da gestão municipal.
Para que o processo avance, a oposição precisa de maioria simples, ou seja, 19 votos entre os 37 vereadores. O grupo conta com apenas 11 parlamentares declaradamente oposicionistas, o que torna o arquivamento o cenário mais provável, dada a ampla base de apoio de João Campos.
A tensão começou antes mesmo da abertura dos portões. Desde as 7h da manhã, filas se formaram na entrada do Legislativo com registros de bate-boca e empurra-empurra.
Eduardo Moura também gravou vídeos nas redes sociais acusando apoiadores do prefeito de "furarem a fila" para ocupar os assentos destinados ao público. "Tudo babão, tudo comprado do prefeito", gritou Moura na entrada.
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