Cynara Maíra | Publicado em 08/06/2026, às 07h52 - Atualizado às 08h35
Neste fim de semana, as articulações para a composição das duas vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) ganharam novos desdobramentos políticos em Pernambuco. O deputado federal Túlio Gadelha (PSD) declarou apoio ao ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), abrindo uma divergência pública com o também postulante Eduardo da Fonte (PP).
Com a divulgação de uma aliança entre Miguel e Túlio, o deputado federal anteriormente da Rede Sustentabilidade emitiu uma nota pública em que afirma que, independente de seus desejos e interesses, a escolha será da governadora.
Em tom mais conciliatório, Túlio elogiou todos os postulantes ao dizer que muitas pessoas boas tentavam participar da chapa ao Senado.
“A governadora está no comando desse processo. Ela tem um problema bom para resolver, porque tem muita gente boa perto dela querendo fazer parte da chapa. Ela tem tempo e está fazendo essa análise. A gente está fazendo nossa parte: caminhando junto às pessoas e entregando à população obras e resultados”, afirmou Túlio.
Túlio Gadelha manifestou o apoio a Miguel Coelho durante um ato político em Paudalho, que oficializou as pré-candidaturas de Marcelo Gouveia (Podemos) à Câmara dos Deputados e de Gustavo Gouveia (Podemos) à Assembleia Legislativa (Alepe).
No dia em que o PP declarou apoio à reeleição de Raquel Lyra com uma série de demonstrações de endosso ao nome de Eduardo da Fonte ao Senado, Miguel conseguiu o apoio do Podemos de Gouveia. Com a legenda interessada no nome do ex-prefeito de Petrolina para o Senado, faria sentido a declaração de apoio junto ao Podemos.
Na ocasião, Túlio defendeu a relevância de assegurar uma representação do Sertão em Brasília. No sábado (06), Miguel utilizou suas redes sociais para endossar a aproximação e declarou que o grupo reúne as qualidades administrativas necessárias para o palanque governista.
A ideia dos políticos parece ser driblar a vantagem de Eduardo da Fonte dentro da federação, por ser o presidente estadual do grupo e ter a maior bancada no estado, com lideranças externas. Como parece que Raquel Lyra almeja conquistar o eleitorado lulista com Túlio na chapa, a tendência é que o deputado esquerdista esteja em uma das vagas para Casa Alta.
Depois da demonstração de apoio de Túlio, que chegou a cancelar antes uma agenda com Dudu logo após rumores de que lançariam a chapa ao Senado, o grupo alinhado com da Fonte fez diversas declarações de apoio ao político.
Durante a agenda que faria com Gadelha, Eduardo da Fonte se reuniu com prefeitos ex-prefeitos e vereadores do Agreste Meridional no Consórcio Público para o Desenvolvimento da Região Agreste Meridional de Pernambuco (Codeam).
O encontro contou com a presença dos deputados estaduais Izaías Régis (PSD), Claudiano Martins Filho (PP), Pastor Cleiton Collins (PP) e Dannilo Godoy (PP). Lideranças municipais de cidades como Manari, São João, Terezinha, Calçado e Palmares compareceram ao evento para referendar a liderança de Dudu da Fonte e cobrar a sua indicação ao Senado.
Alguns grupos afirmam que as manobras de Miguel seriam uma tentativa de reverter a vantagem de Eduardo da Fonte dentro da federação.
Essas posições ocorrem depois que Miguel Coelho afirmou que o União Progressista poderia lançar candidaturas avulsas, fora da federação oficial da governadora Raquel Lyra, um dia depois de surgirem especulações que durante a abertura do São João de Caruaru, na semana passada, Raquel teria dito que seria aquela a "chapa da vitória" ao tirar fotos com Miguel Coelho, Priscila Krause (PSD) e Túlio Gadelha.
Caso escolhesse por manter a federação avulsa, Raquel perderia uma parcela grande de tempo de televisão.
Também não haveria a possibilidade da federação lançar uma candidatura avulsa e se manter na coligação da governadora. Especialistas em direito eleitoral consultados pelo portal Jamildo.com esclarecem que a legislação impede que partidos federados lancem candidaturas isoladas ou cruzadas ao Senado se integrarem a coligação majoritária do governo.
Diante do travamento técnico, articuladores de bastidores avaliam a possibilidade de indicar o deputado estadual Antônio Coelho (UB), irmão de Miguel, para a vaga de vice-governador, abrindo caminho para Eduardo da Fonte disputar o Senado e mantendo Túlio Gadelha como o representante alinhado ao Palácio do Planalto.
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