Cynara Maíra | Publicado em 15/01/2026, às 17h50 - Atualizado às 18h43
Após o deputado estadual João Paulo (PT) repercutir falas sobre a possibilidade de múltiplos palanques do presidente Lula (PT) em Pernambuco, o secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury (PT), criticou as declarações do deputado e ex-prefeito do Recife.
Em nota enviada na noite desta quinta-feira (15), Cury classificou como "erro político grave" a postura do correligionário. O dirigente estadual afirmou que é inaceitável tentar minimizar a importância eleitoral do presidente para justificar aproximações políticas que não dialogam com a estratégia partidária.
"João Paulo fala por si. Não fala pelo PT, não fala pela militância e não fala pelo campo progressista. O Partido dos Trabalhadores não pode aceitar conveniências que se sobreponham ao protagonismo de Lula", disparou Cury.
O secretário, que integra a gestão do prefeito João Campos (PSB), defendeu que a eleição de 2026 exige posições firmes. Para ele, a tática defendida por João Paulo é "amorfa" e compromete a unidade do campo progressista.
O Jamildo.com procurou a assessoria de João Paulo, quando houver um retorno essa matéria será atualizada.
O ataque de Cury ocorre horas após João Paulo ampliar sua defesa sobre a estratégia eleitoral no estado. Em entrevista, o deputado sugeriu que o PT apoie a formação de três palanques para Lula: o de João Campos, o da governadora Raquel Lyra (PSD) e o do pré-candidato do PSOL, Ivan Moraes.
"Defendo, caso o prefeito do Recife seja candidato, que nós possamos ter não só os dois palanques, mas eu defendo até três. Vou conversar com nosso amigo ex-vereador Ivan Moraes pra que ele se incorpore à luta pela reeleição do nosso presidente Lula", afirmou João Paulo.
A troca de farpas representa a divisão interna na legenda em Pernambuco. Uma ala, alinhada com Cury, defende a manutenção da aliança com o PSB na Frente Popular. Outro grupo vê vantagem na aproximação com Raquel Lyra.
João Paulo argumenta que, mesmo se Raquel apoiar outro nome nacionalmente, ela não faria "uma linha de oposição ao governo do presidente Lula", devido à boa relação institucional e aos investimentos federais no estado.
A direção estadual do partido tenta conter os ânimos. O presidente da sigla, deputado Carlos Veras, mantém o discurso de que a prioridade é a reeleição de Lula e Humberto, sem antecipar definições sobre a chapa majoritária estadual. O discurso oficial do PT é que a decisão sobre os apoios ao Governo de Pernambuco dependerá do diretório nacional.
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