Inácio Feitosa | Publicado em 21/01/2026, às 09h16 - Atualizado às 09h22
Por Inácio Feitosa, em artigo para o site Jamildo.com
Desde a posse de Padre Carlos Fritzen como reitor da Universidade Católica de Pernambuco, passei a ter a nítida percepção de que a instituição ingressou em um ciclo de transformações profundas. Há algo no perfil do novo reitor — e, sobretudo, no desenho estratégico que começa a se delinear — que remete ao espírito de ruptura construtiva simbolizado pelo “50 anos em 5” de Juscelino Kubitschek.
Fritzen não chega por acaso. Gaúcho, natural de Campina das Missões, no Rio Grande do Sul, sacerdote da Companhia de Jesus, traz uma trajetória sólida na gestão educacional, com atuação nacional e internacional.
Antes de assumir a reitoria, integrou a administração da própria Unicap como pró-reitor administrativo, o que lhe conferiu conhecimento interno da instituição, de suas virtudes e, principalmente, de seus gargalos.
Sua formação e experiência em educação, gestão, filantropia e projetos sociais compõem um perfil raro: o de gestor com visão humanista, mas plenamente consciente das exigências da sustentabilidade institucional.
Fui particularmente impactado pelas promessas estratégicas anunciadas — ou claramente sinalizadas — no início de sua gestão.
Entre elas, destacam-se o fortalecimento da formação humanista, a ampliação do acesso ao ensino superior, a revisão dos currículos de graduação, o investimento em inovação pedagógica, a valorização da pesquisa aplicada, a ampliação das ações de extensão universitária e o uso responsável da tecnologia e da inteligência artificial como instrumentos de apoio ao processo educacional.
Tudo isso acompanhado de um discurso firme sobre sustentabilidade financeira, planejamento de longo prazo e responsabilidade social.
Há, contudo, um ponto que considero decisivo: a necessidade de uma interiorização real da Católica. A Unicap já deveria, há muito tempo, contar com unidades fortes e consolidadas em polos estratégicos como Caruaru e Petrolina.
Essa ausência sempre foi um paradoxo para uma universidade que carrega, no nome e na história, a vocação de liderança estadual. Interiorizar não significa apenas abrir prédios, mas levar projeto pedagógico consistente, presença institucional efetiva e compromisso regional verdadeiro.
Atuei por mais de dez anos no setor de universidades privadas. Conheço, por dentro, os desafios da gestão acadêmica e administrativa. Por isso afirmo, com convicção: se este reitor conseguir executar minimamente o que propõe, a Unicap tende a ocupar o lugar de protagonismo que historicamente merece no cenário educacional de Pernambuco.
O desafio, entretanto, será imenso. Não bastam planos estratégicos bem redigidos ou discursos inspiradores. Será inevitável enfrentar temas sensíveis e, muitas vezes, impopulares: reestruturação da gestão, reorganização de pessoas, revisão de processos, redução de gastos com pessoal e combate a desperdícios históricos que instituições religiosas acumulam ao longo do tempo em todo o país. Sem esse enfrentamento, nenhum “50 anos em 5” se sustenta.
Particularmente, torço — mesmo à distância — pelo êxito dessa gestão. A universidade precisa romper com aquilo que os administradores chamam de instantes de mudança: aquele momento em que tudo parece pronto para avançar, mas a instituição hesita, adia e recua.
Desejo boa sorte ao novo reitor na difícil, necessária e histórica missão de construir a Nova Unicap. O tempo dirá se Fritzen conseguirá transformar promessas em legado — e se, de fato, será lembrado como o JK da Universidade Católica de Pernambuco.
Inácio Feitosa, advogado, escritor e fundador do Instituto IGEDUC.
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