Suape estuda sistema de energia renovável para abastecer navios atracados

Jamildo Melo | Publicado em 17/08/2026, às 08h56 - Atualizado às 09h07

Suape prepara virada energética no porto e estuda sistema para abastecer navios com energia renovável enquanto estiverem atracados - Divulgação
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O Complexo Industrial Portuário de Suape iniciou uma nova etapa de estudos para avaliar a implantação de um sistema de fornecimento de energia renovável para navios atracados. A tecnologia, conhecida como Onshore Power Supply (OPS), permite que embarcações conectem seus sistemas à rede elétrica em terra e desliguem os motores auxiliares durante a permanência no porto.

A proposta é que a eletricidade utilizada tenha origem em fontes renováveis. Os mecanismos de comprovação e rastreabilidade da energia ainda serão definidos durante a estruturação do projeto.

Mesmo quando estão atracados, os navios precisam manter em funcionamento equipamentos de iluminação, refrigeração, ventilação, comunicação e outros sistemas. Atualmente, essa energia é normalmente produzida por geradores de bordo abastecidos por combustíveis fósseis.

Com o OPS, essa geração poderá ser substituída pela eletricidade fornecida pelo porto, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e de outros poluentes. A tecnologia também pode diminuir ruídos e vibrações nas áreas portuárias.

“Estamos preparando Suape para acompanhar as mudanças que já estão ocorrendo na navegação mundial. O estudo vai nos permitir avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer esse serviço no futuro, conciliando eficiência das operações e redução de emissões”, afirma o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, em informe ao site.

Estudos vão calcular custos e adaptações em Suape

A análise deverá considerar a demanda energética dos navios que operam em Suape, o tempo médio de permanência das embarcações para carga e descarga e a compatibilidade da frota que utiliza o porto com a tecnologia.

Também serão avaliadas as adaptações necessárias nos berços e na rede elétrica, os investimentos envolvidos, o modelo econômico e as possibilidades de parceria para implantação do sistema.

Uma das alternativas é instalar a infraestrutura por etapas, de acordo com a demanda das linhas de navegação. Entre os equipamentos necessários podem estar subestações, sistemas de transformação e controle, pontos de conexão e cabos de alta capacidade.

“O OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando os estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape e dimensionar sua implantação, considerando aspectos técnicos, ambientais e econômicos”, explica o diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado.

Antaq aponta desafios para implantação do OPS no Brasil

A adoção da tecnologia no Brasil ainda enfrenta obstáculos. O Diagnóstico sobre Descarbonização no Setor Portuário, elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2025, analisou a preparação dos portos brasileiros para iniciativas como combustíveis verdes, geração de energia eólica, eletrificação de equipamentos e sistemas OPS.

Segundo Suape, entre os desafios identificados estão a necessidade de uma infraestrutura elétrica capaz de atender diferentes potências e frequências, os custos de implantação, as adaptações físicas dos píeres e a demanda ainda limitada de embarcações de grande porte preparadas para utilizar o sistema.

O estudo da Antaq também aponta que a preparação antecipada da infraestrutura pode representar uma oportunidade para os portos brasileiros, diante da disponibilidade de fontes renováveis de energia no país.

Portos europeus já utilizam energia em terra para navios

O OPS já integra a infraestrutura de grandes portos internacionais. Em Hamburgo, na Alemanha, sistemas de fornecimento de energia em terra atendem navios de cruzeiro e porta-contêineres. A primeira instalação entrou em operação em 2016.

No Porto de Roterdã, nos Países Baixos, a tecnologia está em expansão. Um dos projetos prevê equipar três terminais de contêineres de longo curso, alcançando oito quilômetros de cais e 35 pontos de conexão.

No Brasil, o uso do OPS para navios de grande porte ainda é incipiente.

Em Suape, a conclusão dos estudos deverá indicar quais berços podem receber a tecnologia primeiro, quanto será necessário investir, quais modelos de parceria são viáveis e qual poderá ser o cronograma de implantação.

A iniciativa faz parte das ações de transição energética e descarbonização do complexo portuário e busca preparar Suape para mudanças ambientais e operacionais previstas no transporte marítimo internacional.

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