Gabriela Vasconcelos | Publicado em 24/04/2026, às 20h44 - Atualizado às 20h45
Com mais de 100 marcas confirmadas meses antes de sua realização, a Ficons 2026, programada para acontecer no período de 15 a 18 de setembro, reafirma Pernambuco como um dos principais polos da construção civil no Brasil.
Em sua décima quarta edição, a feira bienal, promovida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco, já reflete sua força atraindo empresas focadas em trazer para o estado mais inovação, tecnologia e geração de negócios para toda a cadeia produtiva. Um público investidor interessado em garantir sua fatia de crescimento em um dos mercados mais promissores para este ano, no país.
Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção registrou crescimento de 0,5%, mantendo o setor em trajetória positiva, mesmo com os impactos dos juros elevados sobre o crédito e os investimentos. Agora em 2026, a expectativa é de aceleração. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de cerca de 2% para o setor, impulsionado pela retomada do crédito, investimentos em infraestrutura e programas habitacionais.
Para se ter uma ideia do volume financeiro que deverá circular por esse mercado, agora em abril, foi anunciado pelo governo federal um novo pacote de medidas para o setor habitacional, incluindo um aporte adicional de R$ 20 bilhões ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Somados a recursos do Fundo Social, o programa habitacional deverá fechar 2026 com orçamento total de R$200 bilhões.
Não é à toa que a Ficons 2026 ganha ainda mais relevância, diante do cenário econômico. “Consolidada como a maior feira do setor nas regiões Norte e Nordeste, ela se posiciona como importante vitrine para lançamentos, soluções tecnológicas e tendências que impactam diretamente o desempenho da construção civil”, avalia o presidente do Sinduscon-PE, Paulo Wanderley. “Mais do que uma feira, a Ficons reflete a resiliência e o potencial de um dos setores que mais geram emprego e renda no país”, considera.
Com registro de mais de 25 mil visitantes por edição, a expectativa é de que mais empresas reforcem o pool de materiais, equipamentos e serviços que estarão expostos no pavilhão da Ficons, até setembro.
Artigo por Betinha Nascimento
Diretora de Assuntos Imobiliários do Sinduscon-PE e vice-presidente da CBIC
Como construtora e representante da Indústria da Construção, é impossível ignorar o papel central do FGTS na estrutura econômica e social do Brasil. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço não é apenas uma poupança do trabalhador, mas um dos principais instrumentos de financiamento habitacional do país. Historicamente, seus recursos foram concebidos para sustentar políticas públicas de moradia, saneamento e infraestrutura urbana.
Nos últimos anos, porém, tem-se observado um movimento preocupante: o uso do FGTS para finalidades que extrapolam sua vocação original. Propostas de liberação de recursos para consumo imediato ou pagamento de dívidas, embora politicamente atraentes, comprometem a sustentabilidade do fundo. A própria CBIC alerta que medidas recentes já somam mais de R$ 17 bilhões liberados fora do foco habitacional.
Essa mudança de direção não é neutra. Ela retira recursos de um sistema que sustenta milhões de famílias e milhares de empresas. O FGTS é peça-chave para programas como o Minha Casa, Minha Vida e para a continuidade dos investimentos em moradia no país.
Do ponto de vista da sociedade e da indústria, três benefícios claros emergem quando o FGTS é corretamente aplicado na habitação.
O primeiro benefício é a redução do déficit habitacional.
O Brasil ainda enfrenta um déficit estimado em cerca de 7 milhões de moradias, exigindo investimentos da ordem de R$ 1 trilhão. Direcionar o FGTS para habitação significa atacar diretamente esse problema estrutural.
O segundo benefício é a geração de emprego e renda. A construção civil é intensiva em mão de obra: cada R$ 1 milhão investido pode gerar cerca de 13 empregos diretos.
Logo, o uso correto do fundo tem impacto imediato na economia real. O terceiro benefício é a estabilidade da cadeia produtiva da construção. O FGTS garante previsibilidade de crédito, viabilizando projetos de longo prazo e sustentando empresas, especialmente no segmento de habitação popular.
Por outro lado, o desvio desses recursos traz consequências graves.
A primeira consequência é a redução da oferta de moradias.
Menos recursos disponíveis significam menos unidades financiadas e atraso nas metas habitacionais.