Jamildo Melo | Publicado em 27/01/2026, às 10h18 - Atualizado às 10h37
A recente redução de 5,2% no preço da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras, ainda não chegou de forma significativa ao consumidor final em Pernambuco. Segundo o Sindicombustíveis-PE, o repasse efetivo feito pelas distribuidoras aos postos tem ficado entre 1 e 4 centavos por litro, bem abaixo dos cerca de R$ 0,14 por litro divulgados pela estatal.
Em nota explicativa divulgada nesta terça e encaminhada ao site Jamildo.com, a entidade esclarece que os postos de combustíveis não compram diretamente das refinarias. A aquisição é feita pelas distribuidoras, que recebem primeiro qualquer alteração de preços e definem, posteriormente, as condições de repasse aos revendedores.
De acordo com relatos recebidos pelo sindicato, a diferença entre a redução anunciada e o valor efetivamente repassado tem sido justificada pelas distribuidoras principalmente por dois fatores: o aumento no preço do etanol anidro, que compõe a gasolina, e o elevado nível de estoques adquiridos anteriormente a preços mais altos, o que dificultaria um repasse imediato sem prejuízos financeiros.
Nesse contexto, o Sindicombustíveis-PE afirma que os postos acabam sendo o elo mais pressionado da cadeia, alvo direto de cobranças de consumidores e da opinião pública, apesar de não terem controle sobre o preço de compra do combustível. Segundo a entidade, os revendedores operam com margens cada vez mais apertadas e apenas repassam os valores praticados pelas distribuidoras.
O sindicato defende que o debate público sobre os preços dos combustíveis passe a considerar de forma mais transparente o papel das distribuidoras, incluindo informações sobre o percentual de repasse realizado, os prazos adotados e os fatores de custo envolvidos.
A nota também chama atenção para o mercado de diesel. Segundo informações que circulam no setor, o preço do produto no Brasil estaria abaixo da paridade internacional, o que pode indicar a possibilidade de reajustes futuros. Para o Sindicombustíveis-PE, esse cenário reforça a volatilidade do mercado e a necessidade de cautela, diante do impacto direto do diesel sobre a inflação e os custos de transporte.
Ao final, a entidade afirma que defende maior transparência em toda a cadeia de combustíveis, para que o consumidor compreenda melhor a formação dos preços e para que os postos deixem de ser responsabilizados isoladamente pelas variações nas bombas.
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