Cynara Maíra | Publicado em 30/01/2026, às 07h50 - Atualizado às 08h14
A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou o exercício fiscal de 2025 com um aumento no endividamento do Estado e o registro de um déficit primário de R$ 1,22 bilhão.
Os dados constam nos relatórios de execução orçamentária e gestão fiscal do período, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (30).
Os números indicam uma mudança na estratégia do governo, que saiu de um ajuste fiscal no início do mandato para uma fase de expansão de gastos e investimentos financiados por operações de crédito.
A Dívida Consolidada Líquida (DCL) subiu de R$ 13,16 bilhões em 2024 para R$ 14,98 bilhões ao final de 2025. O movimento acompanha a estratégia da governadora de captar empréstimos para destravar obras estruturadoras. O Estado obteve cerca de R$ 3 bilhões em operações de crédito no último ano.
Esse cenário contrasta com o discurso de Raquel Lyra ao assumir o governo. A gestora apresentou o balanço de 2022, herdado de Paulo Câmara, como uma "herança maldita" devido ao déficit orçamentário daquele ano.
A governadora realizou um ajuste severo em 2023, cortando investimentos para obter superávit. no terceiro ano de mandato, a administração volta a registrar déficit primário e aumento da dívida para sustentar o nível de atividade econômica e as entregas políticas.
Para facilitar a compreensão, o Jamildo.com montou um infográfico interativo com os dados de 2025 e um comparativo geral com 2024, 2023 e 2023:
O Estado arrecadou um total de R$ 55,4 bilhões em receitas de 2025. A principal fonte de recursos continua na tributação própria. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) garantiu R$ 27,6 bilhões aos cofres estaduais.
As transferências da União também compõem uma fatia relevante do orçamento. O Fundo de Participação dos Estados (FPE) repassou cerca de R$ 14,1 bilhões brutos para Pernambuco no período.
Apesar do déficit primário, o governo manteve o ritmo de obras. As despesas de capital voltadas para investimentos somaram R$ 4,3 bilhões. O valor supera os patamares da gestão anterior, que registrou pico de R$ 3,92 bilhões em 2022.
A administração também cumpriu os mínimos constitucionais em áreas prioritárias.
A Saúde recebeu R$ 11 bilhões (15,76% da receita de impostos), acima do piso de 12%.
A Educação contou com R$ 8,7 bilhões em gastos diretos e aplicação de R$ 9,99 bilhões em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), atingindo 25,2%.
A Segurança Pública consumiu cerca de R$ 4 bilhões, enquanto as despesas com o serviço da dívida (juros e amortizações) somaram R$ 3,86 bilhões.
A folha de pagamento permanece como o maior custo da máquina pública. As despesas com pessoal e encargos sociais consumiram R$ 25,9 bilhões, o que representa quase metade de tudo o que o Estado executou.
O déficit previdenciário figura como o principal desafio fiscal. O Fundo Financeiro do regime próprio registrou um rombo de aproximadamente R$ 4,1 bilhões em 2025. A Proteção Social dos Militares também fechou no vermelho, com um resultado negativo de R$ 2,25 bilhões. O Tesouro Estadual precisa cobrir esses valores para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões.
Esse não é um caso único de 2025. A previdência do estado de Pernambuco apresenta um déficit ("rombo") crônico e crescente na sua parcela mais significativa, que é o Fundo Financeiro e o Sistema dos Militares.
Apesar disso, há uma área previdenciária em superávit. Diferente dos anteriores, o Estado criou um fundo para os novos servidores (Fundo em Capitalização), em que o objetivo é poupar recursos para o futuro.
Este fundo não tem rombo; ele gera superávit, pois há muitos servidores contribuindo e quase ninguém aposentado por ele ainda.
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