Jamildo Melo | Publicado em 23/04/2026, às 16h24 - Atualizado às 17h28
Antes mesmo de girar a chave da porta pela primeira vez, ele não entrou. Parou na porta, respirou fundo e ajoelhou no chão ainda sem móveis e colocou as mãos para os céus, em agradecimento. Era a primeira casa própria depois de uma vida pagando aluguel.
A imagem do pai de família, ao lado da esposa e filho pequeno, ao receber as chaves da casa própria em Igarassu, não sai da memória do empresário Leonardo Queiroz, da Viana e Moura Construções. Ele guarda a fotografia no celular pessoal como uma lembrança de como a produção de habitação popular pode ser motivadora.
Nesta quarta-feira, no estacionamento do Shopping Recife, na Zona Sul, seis imobiliárias e 12 empresas de construção, incluindo a empresa de Leonardo Queiroz, estão participando de mais um feirão de imóveis, com a oferta de 5 mil unidades, para que mais pais e mães de família possam agradecer o sonho da casa própria.
Os empresários também disseram que estão esperançosos que o governo federal prometeu a meta de 3 milhões de habitações até o fim do ano.
Por aqui, a roda da economia começou a girar a partir da introdução de subsídios diretos para as habitações populares.
"O divisor de águas no mercado de interesse social foi a entrada garantida pelo Estado, no valor de R$ 20 mil. Ele foi fundamental para sair o financiamento", afirmou Leonardo Queiroz.
Com as condições mais favoráveis, a empresa já dobrou a quantidade de oferta, passando também a oferecer casas na Região Metropolitana do Recife, não apenas apartamentos, como antes. "De 1.200 unidades passamos a 3 mil unidades por ano. Há opções nas quais o comprador, em condições ideais, dá zero de entrada e pega uma parcela de cerca de R$ 400"
O superintendente da Caixa, Marcelo Maia, foi contraintuitivo, ao citar que Recife é uma das cidades com aluguel mais alto no Brasil.
"Com as condições de subsídio dadas, temos parcelas menores do que o aluguel. Nós, assim, contribuímos para a redução de um eventual o endividamento do cliente". Não por acaso, o feirão teve início no mesmo dia que a Caixa ampliou as condições do Minha Casa Minha Vida.
Pedro Vieira, um dos organizadores do evento, explicou que o sucesso dos feirões está na ancoragem, que ajuda na decisão de compra.
"Se um cliente entra e não tem nada para comparar, ele fica na dúvida, não tem como decidir racionalmente"
No evento de abertura, Paulo Lira, diretor-presidente da Cehab (e também funcionário da Caixa licenciado) fez questão de reconhecer o trabalho de Pedro Vieira para retomar as feiras, a partir de Caruaru, desde 2022.
"Hoje, com o sucesso que atingimos uma feira é pouco, precisamos fazer outra no segundo semestre. Não estamos dando conta", declarou.
"Em 2022, foram 200 unidades. As construtoras tinham perdido o interesse de financiar a faixa de renda mais popular. Em 2024, já foram 2,100 unidades e hoje temos cinco mil unidades só no Recife", comparou.
Apostando nesta mesma demanda do primeiro imóvel, a empresa Tenório Simões também esta ofertando mais na RMR, onde detectou carências de produtos para público jovem, com renda de até dois salários, que não vê vantagem em trocar o Recife por Paulista ou Camaragibe.
"Apostamos em bairros como San Martin ou Estância, que nunca tiveram projetos do Minha Casa Minha Vida. No Citá San Martin, com 308 unidades, já vendemos 250. No Citá Estância, com 322 unidades, vendemos 50 unidades apenas no primeiro dia de lançamento", conta Rafael Simões.
"90% do público é solteiro, quer independência. Com uma renda de R$ 3 mil, pagam uma prestação de R$ 800 de mensalidade".
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