Rua da Imperatriz volta a receber carros em setembro em meio ao debate sobre renovação do espaço

Cynara Maíra | Publicado em 20/08/2026, às 09h30

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Transformada em calçadão exclusivo para pedestres na década de 1970, a Rua da Imperatriz voltará a receber o tráfego de veículos a partir de setembro.

O anúncio da intervenção de urbanismo tático ocorreu nesta quarta-feira (19), durante encontro do Gabinete do Centro do Recife (Recentro) com a Associação dos Proprietários de Imóveis da Rua da Imperatriz (Impera), atendendo a uma reivindicação de comerciantes e proprietários da Boa Vista.

Durante o evento realizado na Casa de Joaquim Nabuco, a chefe do Recentro, Ana Paula Vilaça, destacou que a flexibilização viária integra um pacote de medidas para conter a desocupação do corredor comercial.

"A Rua da Imperatriz já viveu um comércio pujante e hoje passa por uma transformação, diante de um novo contexto social e econômico. Além dos benefícios concedidos pelo Recentro em IPTU, ISS e ITBI, também estamos implementando a remissão de débitos. Agora, a reabertura da via para a circulação de carros atende a mais um importante pleito", explicou a gestora.

O processo para implantar a circulação compartilhada começou em setembro de 2024, quando o Recentro solicitou estudos de viabilidade técnica à Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). No ano seguinte, a proposta foi alinhada com a Secretaria de Ordem Pública e Segurança (Seops) a partir de consultas aos lojistas, até a CTTU concluir o projeto executivo de trânsito em julho deste ano.

Antiga Rua do Aterro da Boa Vista, batizada com o nome atual após a visita da família imperial em 1859, a via reúne 103 imóveis e marcos culturais como a Praça Maciel Pinheiro, a Igreja Matriz da Boa Vista e as casas históricas de Clarice Lispector e Joaquim Nabuco.

O endereço enfrentou degradação econômica na última década, principalmente após o encerramento de grandes lojas de departamento e índices de vacância que ultrapassaram 30% dos pontos comerciais. A situação piorou ainda mais durante a pandemia da covid-19. 

Os comerciantes da área defendiam que o retorno dos veículos diminuiria a sensação de insegurança no espaço e aumentaria o fluxo de consumidores. 

Outros grupos sociais consideram que a maior solução para recuperação do Centro depende de habitação e atração de novos serviços, não da priorização viária aos automóveis. A ideia de moradias sociais também já é uma iniciativa em andamento pela Prefeitura do Recife, que aposta em investir na parceria com a iniciativa privada para transformar áreas em zonas de moradia popular. 

Centro do Recife