Cynara Maíra | Publicado em 12/12/2025, às 12h41 - Atualizado às 13h25
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), deve apresentar na próxima quarta-feira (17), o projeto de Parceria Público Privada (PPP) para aluguéis sociais de prédios no Centro do Recife. A informação é do jornalista Lucas Moraes do Jornal do Commercio.
Segundo a reportagem do JC, João Campos irá apresentar na sede do B3, bolsa de valores brasileira, a iniciativa.
O projeto, batizado de "Morar no Centro", prevê a concessão de prédios públicos e privados para a criação de cerca de 1.128 unidades habitacionais destinadas à locação social.
A Prefeitura do Recife tinha como meta inicial divulgar o edital do PPP Morar no Centro ainda na primeira metade de 2025, mas após um atraso na avaliação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a data ficou para segunda metade do ano.
O edital agora deve ser lançado até 31 de dezembro de 2025, segundo o cronograma do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal.
Em entrevista recente à CBN Recife, João Campos defendeu que a solução para os problemas de segurança do Centro passa pela habitação. "A conta vai fechar de você fazer um investimento no centro da cidade", afirmou o gestor ao defender incentivos para o retrofit ao lado do setor privado.
A PPP "Morar no Centro" é uma concessão patrocinada com prazo de 25 anos. Segundo as informações apresentadas pela Prefeitura durante a consulta pública, o parceiro privado ficará responsável pela reforma (retrofit) ou construção, gestão e manutenção de seis empreendimentos nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga.
O projeto prevê a entrega de 1.128 unidades habitacionais nesses espaços, combinados em uso de retrofit de prédios antigos e novas construções.
O foco seria a locação social para famílias com renda de até R$ 4.942,00 (cerca de 3,5 salários mínimos). A regra do sistema indica que o aluguel mais o condomínio poderá comprometer no máximo de 15% a 25% da renda familiar do beneficiário.
As unidades serão entregues mobiliadas, com itens básicos como fogão e geladeira. O investimento total estimado no contrato é de quase R$ 600 milhões, com aporte da Prefeitura via contraprestação mensal, um pagamento regular feito pelo ente público para concessionária privada.
O modelo financeiro prevê que 68% da receita virá da contraprestação pública, enquanto 13% virá do valor da locação social. A contraprestação mensal máxima é de R$ 2,2 milhões, com valor estimado do contrato de R$ 596,6 milhões, dos quais cerca de R$ 400 milhões serão pagos pela Prefeitura.
Além das moradias, o concessionário terá de construir uma creche e a nova sede da Orquestra Criança Cidadã. As empresas poderão explorar a fachada ativa para comércio.
Além da PPP para habitação social, a Prefeitura do Recife mantém o Distrito Guararapes como projeto estruturante para a região central.
Apesar de estarem vinculadas com o Centro do Recife, o Morar no Centro se concentra na criação de moradias por aluguel social a famílias de até 3,5 salários mínimos.
No caso do Distrito Guararapes, a concessão é administrativa e prevê a regeneração urbana por um contrato de 30 anos. Apesar do sistema também prever habitações, as empresas vencedoras da eventual licitação será responsáveis por mais atribuições.
O Distrito Guararapes prevê:
intervenção em 14 edifícios com questões fundiárias complexas
873 unidades habitacionais dentro do Minha Casa, Minha Vida
valores voltados para faixas de renda mais altas que as do Morar no Centro
revitalização de 140 mil m² de espaços públicos, incluindo a Avenida Guararapes, Rua do Sol, Praça da Independência e áreas do entorno dos manguezais