Sinpol reclama de defasagem do valor do PJES e vê impactos na segurança pública

Jamildo Melo | Publicado em 27/02/2025, às 12h11

Na semana passada, entidade sindical esteve na SAD reclamando da defasagem no efetivo policial e a insatisfação com o atendimento do SASSEPE - Sinpol/Divulgação
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Nesta véspera de Carnaval, quando as forças policiais são chamadas a cuidar dos foliões, nos focos de animação, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco voltou a reclamar da defasagem do valor do Programa de Jornada Extra de Segurança (PJES) e atrasos do Governo do Estado no pagamento.

De acordo com a entidade, o último reajuste ocorreu há 8 anos e os atrasos constantes no pagamento do PJES tem gerado descontentamento da categoria, além de poder comprometer o funcionamento dos plantões policiais, das delegacias da mulher e investigações em andamento.

O Programa de Jornada Extra de Segurança é um mecanismo do Governo do Estado para que Policiais trabalharem em plantões extras, nos seus dias de folga, para cobrir o déficit de efetivo policial.

O presidente do sindicato, Áureo Cisneiros, disse que os policiais civis têm cumprido jornadas exaustivas para suprir a falta de efetivo e desvalorização salarial.

"Os Policiais Civis estão adoecendo por causa da escravidão do PJES. É vergonhoso um governo pagar R$ 15,00 por hora trabalhada a um Policial Civil. Há um ano o governo prometeu reajustar, mas até agora nada!”, declarou Cisneiros, em informe ao site.

A reclamação ocorre nas vésperas do Carnaval, momento que é neçessário maior número de policiais civis.

O sindicato diz que a situação poderia levar a uma crise de desmotivação entre os policiais, com impactos diretamente no sistema de segurança pública.

“Temos o exemplo da exploração do governo no carnaval: Um policial ganharia dez vezes mais em uma hora vendendo cerveja no isopor do que os R$ 15,00 pagos pela hora-extra do governo Raquel para fazer a segurança do Carnaval", comparou o presidente do SINPOL.

"A categoria já discute a possibilidade de medidas mais contundentes caso o reajuste prometido não ocorra. Entre as opções estão a entrega das cotas do PJES em junho", ameaçou.

O SINPOL informou estar realizando uma série de assembleias descentralizadas em todas as regiões do estado para discutir o aumento do valor do PJES.

As reuniões ocorrerão até abril e tem como objetivo debater medidas coletivas para pressionar o governo a reajustar o valor do PJES. Outra opção seria instituir horas extras e adicional noturno.

Os valores pagos no PJES têm sido um ponto de tensão entre a categoria e o governo do estado.

Segundo o sindicato, muitos policiais civis têm trabalhado além da jornada regular para suprir os baixos salários, mas não estão recebendo a remuneração devida.

"Essa situação é inadmissível. Além de desrespeitar os direitos dos policiais civis, coloca em risco a eficiência da segurança pública. Se os policiais civis não se sacrificarem, como ficam os plantões extras, o transporte de presos, o funcionamento das delegacias das mulheres, as investigações? O sistema de segurança pública não pode funcionar tendo como base a exploração dos policiais”, afirmou o presidente .

"A realização das assembleias descentralizadas tem mobilizado a categoria, que se mostra insatisfeita com a situação atual".

A SDS e Secretaria de Administração foram notificados das reclamações. Espaço segue aberto para o contraditório sempre, caso haja interesse em acrescentar informações sobre as demandas.

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