Jamildo Melo | Publicado em 15/08/2026, às 10h44 - Atualizado às 10h58
A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, contestou parte das conclusões de uma auditoria do Ministério da Saúde sobre procedimentos realizados pela unidade. A instituição afirma que os atendimentos questionados foram executados e informou que adotará medidas administrativas e judiciais para apresentar documentos e questionar os apontamentos.
A unidade, que atua há 55 anos na rede complementar de saúde e atende pacientes de Garanhuns e de outros municípios do Agreste Meridional, sustenta que parte das divergências identificadas pela auditoria está relacionada a questões documentais e de preenchimento de registros.
Um dos pontos abordados pela auditoria envolve sessões de hemodiálise. Segundo a Casa de Saúde, foram apontadas 90 sessões sem comprovação documental considerada suficiente pelos auditores, em um universo de aproximadamente 135 mil sessões realizadas no período analisado.
A instituição argumenta que a ausência de uma assinatura ou de determinado registro em um documento específico não significa, por si só, que o atendimento deixou de ocorrer.
De acordo com o hospital, a análise deve considerar o conjunto dos registros assistenciais de cada paciente. A Casa de Saúde afirma ainda que parte dos pacientes relacionados às sessões questionadas continua realizando tratamento de hemodiálise na própria unidade.
A auditoria também levantou questionamentos sobre procedimentos cirúrgicos oncológicos. A Casa de Saúde afirma ter encaminhado documentação médica referente às cirurgias analisadas e sustenta que parte das inconsistências seria de natureza formal.
Segundo a instituição, além dos documentos nos quais foram identificadas divergências, os prontuários possuem outros registros que poderiam comprovar a realização dos procedimentos, como relatórios cirúrgicos, laudos anatomopatológicos e boletins de anestesia.
Outro ponto contestado envolve a codificação administrativa atribuída a determinadas cirurgias oncológicas. O hospital afirma que os procedimentos foram realizados e que a documentação médica disponível permitiria comprovar sua execução.
A Casa de Saúde também argumenta que a escolha da técnica cirúrgica e da via de acesso cabe ao médico responsável, considerando as condições clínicas de cada paciente. A instituição afirma que não interfere nas decisões técnico-científicas dos profissionais de seu corpo clínico.
Na manifestação, a instituição também menciona uma auditoria especial concluída pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) em julho de 2025. Segundo a Casa de Saúde, naquela análise não foram identificados prejuízos financeiros decorrentes da contratação da unidade pelo poder público.
A relação contratual ganhou repercussão política pelo fato de um dos sócios da Casa de Saúde, Jorge Branco, ser marido da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause.
Sobre esse ponto, a instituição cita decisão anterior do TCE-PE que, segundo ela, não identificou nepotismo na contratação. Entre os argumentos mencionados estão o fato de a relação contratual ser anterior à participação de Priscila Krause na atual gestão estadual e a afirmação de que a vice-governadora não participou do credenciamento nem dos pagamentos realizados à unidade.
Após a conclusão da auditoria do Ministério da Saúde, a Casa de Saúde informou que apresentará esclarecimentos e documentação médica pelos canais administrativos disponíveis.
Em nota ao site Jamildo.com, a direção também anunciou que pretende recorrer às medidas judiciais cabíveis para contestar pontos do relatório.
A instituição defende que a análise dos procedimentos considere não apenas eventuais falhas formais nos documentos, mas o conjunto dos prontuários, os registros médicos e a indicação clínica de cada atendimento.
A Casa de Saúde afirma que continuará prestando informações às autoridades responsáveis pela fiscalização e mantém os atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Garanhuns e na região.
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