Jamildo Melo | Publicado em 07/10/2026, às 10h53
A derrota do deputado estadual Gilmar Júnior (PV) nas eleições de 2026 acrescentou um componente político à disputa pelo comando do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE).
Presidente do conselho e uma das principais lideranças políticas da categoria no Estado, Gilmar tentou renovar o mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), mas não conseguiu.
Com 26.479 votos, equivalentes a 0,50% dos votos válidos, o parlamentar ficou na suplência. Ele terminou na 75ª colocação entre os candidatos a deputado estadual em Pernambuco. Em 2022, havia sido eleito pelo PV.
O resultado significa que Gilmar deixará a Alepe ao final da atual legislatura. A eleição estadual renovou as 49 cadeiras da Assembleia, tendo Dani Portela (PT) como candidata mais votada, com 146.123 votos.
Pouco mais de um mês depois da eleição estadual, o grupo político ligado a Gilmar terá outro teste nas urnas.
As eleições dos Conselhos Regionais de Enfermagem estão marcadas para ocorrer entre 8h de 8 de novembro e 8h de 9 de novembro e definirão os conselheiros para o triênio 2027-2029.
Nesse cenário aparece a enfermeira Priscila de Araújo Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Pernambuco (ABEn-PE), integrante da chapa Levante Coren.
Documentos oficiais do processo eleitoral do Coren-PE registram Priscila entre os integrantes efetivos da chapa para o Quadro I, destinado aos enfermeiros.
A entrada de uma chapa adversária ganha relevância porque o grupo atualmente no comando do conselho vem de uma vitória eleitoral ampla.
Em 2023, a chapa encabeçada por Gilmar Júnior foi reeleita para o triênio 2024-2026 com cerca de 83% dos votos, considerando os dois grupos profissionais. Naquela eleição, porém, houve chapa única. Mais de 34 mil profissionais participaram do pleito.
Segundo foi informado ao site Jamildo.com, Priscila Ferraz não é um nome novo nas mobilizações da Enfermagem pernambucana.
Ela participou, inclusive ao lado de Gilmar Júnior, da articulação relacionada ao Decreto Legislativo nº 193/2021, que tratou da atuação de enfermeiros em consultórios em Pernambuco. Na época, o próprio Conselho Federal de Enfermagem registrou a participação de Priscila na mobilização.
Agora, os dois nomes aparecem em lados diferentes de uma disputa pela representação institucional da categoria.
A eleição do Coren-PE e a eleição para a Alepe são disputas de natureza diferente. A primeira envolve os profissionais inscritos no conselho; a segunda, o eleitorado pernambucano. Por isso, não é possível atribuir automaticamente o resultado de uma à outra.
Politicamente, porém, a proximidade entre os dois pleitos cria um teste para a influência do grupo que Gilmar ajudou a consolidar no conselho.
Depois de perder a cadeira na Alepe com 26,4 mil votos, uma eventual derrota de seus aliados no Coren-PE representaria um segundo revés eleitoral em pouco mais de um mês.
Para Priscila Ferraz e a Levante Coren, a disputa oferece a oportunidade de quebrar a continuidade do grupo que atualmente dirige a entidade.
A resposta virá em novembro, quando os profissionais de Enfermagem de Pernambuco escolherão o novo plenário do Coren-PE para o período de 2027 a 2029.
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