Subliminar? Raquel posa com livro-símbolo contra autoritarismo e opressão

Jamildo Melo | Publicado em 14/04/2026, às 16h01 - Atualizado às 16h14

O livro de George Orwell, símbolo de crítica ao autoritarismo, reforçou as comparações feitas nos bastidores políticos - Internet
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A governadora Raquel Lyra (PSD) fez uma postagem, nesta terça-feira (14), junto ao livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell. A foto passou a ser analisada como uma possível mensagem subliminar da governadora, em momento político de impasse com a Assembleia Legislativa, segundo postagens em grupos de Whatsapp de literatos e eruditos do Estado.

A própria governadora deu margem para as ilações, ao comentar a foto.

"No fim, todo mundo é igual. E, apesar de ter quem queira usar a caneta para se colocar acima dos outros, por aqui, a gente usa a caneta para fazer de Pernambuco um lugar mais justo e menos desigual. É nessa Política de P maiúsculo que acredito", disse Raquel na postagem, levando alguns a tentar ler nas entrelinhas.

O Poder Executivo tem apontado suposta obstrução por parte do presidente da Assembleia, Álvaro Porto (MDB), na votação de projeto de lei para alterar o percentual de remanejamento do orçamento que a governadora pode fazer por decreto.

Parlamentares da base do Governo já usaram nos microfones palavras como "autoritarismo" e "antidemocrático" ao protestarem publicamente sobre decisões do presidente da Assembleia na tramitação do projeto. O projeto agora está suspenso por decisão do TJPE, após pedido de liminar da base de Raquel, informou mais cedo o site Jamildo.com.

Coincidência ou não, são esses os temas do livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, publicado originalmente em 1984.

LIVRO-SÍMBOLO CONTRA AUTORITARISMO: UM RESUMO

O que começa como uma simples fábula sobre animais de fazenda tomando o controle de seus próprios destinos rapidamente se transforma em um dos relatos mais aterrorizantes e precisos sobre a natureza do poder.

Mais de oito décadas após sua publicação original, "A Revolução dos Bichos (Animal Farm)", de George Orwell, recusa-se a envelhecer. Pelo contrário: em uma era marcada pela desinformação e pela polarização política, o clássico de 1945 parece menos uma obra de ficção histórica e mais um manual de advertência sobre o presente.

A premissa é conhecida: cansados da exploração humana pelo Sr. Jones, os animais se rebelam e instituem o "Animalismo", fundamentado em Sete Mandamentos cujo pilar central é "Todos os animais são iguais".

No entanto, a liderança natural assumida pelos porcos — considerados os mais inteligentes do grupo — inicia uma lenta, calculada e brutal subversão dessa utopia.

O livro disseca como um regime autoritário não se instaura da noite para o dia, mas através de um processo de erosão gradual. Quando os porcos, liderados pelo tirânico Napoleão, começam a dormir em camas, beber álcool e, por fim, andar sobre duas patas, o leitor testemunha a triste transição dos oprimidos para novos opressores.

O personagem Garganta (Squealer), o porco porta-voz de Napoleão, é a encarnação do Ministério da Propaganda.

Ele distorce fatos, altera memórias coletivas e justifica privilégios com falsas estatísticas. Quando o mandamento principal é sutilmente alterado para "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros", Orwell demonstra como quem controla a narrativa e o idioma controla a própria realidade.

Para manter o controle e justificar as falhas de seu próprio governo, Napoleão usa o porco exilado, Bola de Neve (Snowball), como um eterno bode expiatório. O medo de uma ameaça invisível e constante une os animais sob o guarda-chuva protetor do ditador, justificando o estado de sítio permanente e a violência do Estado (representada pelos cachorros ferozes).

Orwell se declarava um socialista democrático. Sua luta não era contra os ideais de igualdade (representados no início de A Revolução dos Bichos), mas sim contra o totalitarismo em todas as suas formas, fosse de direita (fascismo) ou de esquerda (stalinismo). Ele desprezava líderes que sequestravam causas justas em benefício próprio.

Poucos anos após "A Revolução dos Bichos", ele publicou sua obra-prima máxima, "1984" (lançada em 1949), que expandiu sua crítica ao autoritarismo para temas como vigilância em massa ("O Grande Irmão"), controle do pensamento e reescrita da história. Este é o livro que inspirou o programa Big Brother, famoso na TV mundial.

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