Raquel Lyra alfineta polêmica da gestão João Campos em guia eleitoral: "passei sem furar fila"

Cynara Maíra | Publicado em 01/09/2026, às 10h35 - Atualizado às 12h10

João Campos e Raquel Lyra disputarão o governo de Pernambuco nas Eleições 2026 - DIVULGAÇÃO/ CONGRESSO NACIONAL; DIVULGAÇÃO/ PSD
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Durante o segundo guia eleitoral da governadora Raquel Lyra (PSD) na segunda-feira (31), além de defender os feitos de sua gestão, a política aproveitou o espaço para alfinetar seu principal adversário, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). 

Ao citar sua trajetória, a governadora falou que passou no concurso de procuradora "sem furar fila", em referência à polêmica do concurso do Recife para Procurador do Município do Recife. 

Apesar de solucionado sem vias legais, o caso gerou polêmica e até pedido de impeachment contra o então prefeito João Campos. 

No programa, a candidata à reeleição utilizou um tom biográfico para relembrar cargos que ocupou antes de chegar ao Palácio do Campo das Princesas. "Quando eu virei delegada, disseram que não era coisa de mulher. Passei num concurso pra procuradora sem furar fila e foi do mesmo jeito. Na prefeitura de Caruaru, falaram que eu não aguentaria o tranco", declarou Raquel.

Relembre a polêmica no concurso da PGM do Recife

O episódio que motivou a provocação de Raquel ocorreu no final de 2025 e envolveu o certame de 2022 para a Procuradoria-Geral do Município (PGM Recife). A controvérsia começou quando a gestão municipal aceitou o pedido administrativo de um candidato da ampla concorrência para migrar para a lista de vagas reservadas para pessoas com deficiência (PcD), com base em um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Com a decisão, a prefeitura reposicionou o candidato à frente do primeiro colocado da lista PcD, Marko Venício Batista, e publicou a nomeação no Diário Oficial.

O ato gerou contestações da Associação dos Procuradores Municipais e de procuradoras de carreira, que apontaram desrespeito às regras do edital homologado e à segurança jurídica.

A oposição na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa de Pernambuco também criticou a medida na época, levantando suspeitas de favorecimento pessoal devido ao parentesco do candidato com autoridades locais.

Defesa da gestão e anulação do ato

Em resposta às críticas, a Prefeitura do Recife e o ex-prefeito João Campos sustentaram que o procedimento atendeu a critérios estritamente técnicos. A administração municipal afirmou que o reconhecimento do laudo cumpriu a legislação de proteção e garantia de direitos a pessoas com deficiência, sem qualquer privilégio por sobrenome ou interferência política.

Diante do recurso do candidato prejudicado e dos debates jurídicos no próprio órgão, a prefeitura revogou a reclassificação em 31 de dezembro de 2025. A administração tornou sem efeito a nomeação anterior e convocou formalmente Marko Venício Batista, que tomou posse no cargo em janeiro de 2026.

No plano político, parlamentares de oposição protocolaram um pedido de impeachment contra João Campos e recolheram assinaturas para criar uma CPI na Câmara do Recife. O plenário da Casa rejeitou o pedido de impedimento por maioria governista, e a presidência do Legislativo arquivou a solicitação de CPI por entender que a correção do ato pelo próprio Executivo eliminou qualquer prejuízo prático aos cofres municipais.