☰
✕

Quaest: Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 44%, em primeiro levantamento do segundo turno; disputa segue empatada

Jamildo Melo | Publicado em 14/10/2026, às 20h19 - Atualizado às 20h20

Com segundo turno marcado para 25 de outubro, Lula busca ampliar a mobilização eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro consolida apoios partidários e tenta atrair eleitores de candidatos derrotados. - Divulgação
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

A primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial de 2026, divulgada nesta quarta-feira (14), aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A diferença de dois pontos percentuais configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

O levantamento, contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, mostra ainda que 9% dos entrevistados pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas. Outros 1% estão indecisos.
A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.

O resultado indica uma disputa equilibrada a menos de duas semanas da votação, marcada para 25 de outubro.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%, conforme os números apresentados na apuração.

É importante observar que os percentuais da pesquisa estimulada incluem votos brancos, nulos e indecisos, enquanto os resultados eleitorais mencionados consideram apenas votos válidos. Por isso, não são diretamente comparáveis.

Pesquisa espontânea também aponta empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Lula registra 42%.
Nesse cenário, 7% dos eleitores se declaram indecisos e 8% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.

A proximidade entre os percentuais nas duas modalidades reforça o quadro de equilíbrio apontado pelo levantamento.

A pesquisa também investigou um componente importante da disputa: o receio dos eleitores em relação ao resultado da eleição.

Segundo a Quaest, 43% dos entrevistados afirmam ter mais medo da reeleição de Lula, enquanto outros

43% dizem temer mais o retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

O percentual relacionado a Lula permanece estável desde 21 de setembro. No caso dos Bolsonaro, o índice era de 40% na véspera do primeiro turno.

Os dados sugerem que a rejeição ao adversário continua sendo um elemento relevante na disputa, embora a pergunta sobre medo não corresponda diretamente a uma medida convencional de rejeição eleitoral.

Para onde vão os votos de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado?

Outro ponto da pesquisa Quaest é a transferência de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno.
Os números indicam que Flávio Bolsonaro tem maior preferência entre os eleitores de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Lula apresenta desempenho numericamente superior entre os que votaram em Augusto Cury (Avante).

Terceiro colocado no primeiro turno, Augusto Cury recebeu 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos.

Entre seus eleitores, 34% afirmam que pretendem votar em Lula no segundo turno, enquanto 30% preferem Flávio Bolsonaro. Outros 30% declaram intenção de votar em branco, anular ou não comparecer, e 6% permanecem indecisos.

A diferença entre Lula e Flávio nesse grupo não permite afirmar uma vantagem estatisticamente consolidada.

Renan Santos, que terminou a eleição em quarto lugar, com 2.675.887 votos (2,24%), apresenta uma distribuição diferente.

Entre seus eleitores, 40% declaram apoio a Flávio Bolsonaro, contra 14% que pretendem votar em Lula.
O dado mais expressivo nesse segmento, porém, é que 43% afirmam que vão votar em branco, anular ou não participar do segundo turno. Outros 3% estão indecisos.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, quinto colocado com 2.605.148 votos (2,18%), Flávio Bolsonaro também aparece numericamente à frente.

Nesse grupo, 42% declaram voto no senador do PL, enquanto 23% preferem Lula. Outros 33% dizem que não votarão em nenhum dos dois candidatos, e 2% permanecem indecisos.

Os percentuais de transferência representam intenções declaradas no momento da entrevista, não uma garantia de comportamento nas urnas. Também é necessário considerar a maior incerteza estatística das estimativas feitas com subgrupos menores de entrevistados.

Lula aposta em medidas econômicas e mobilização dos eleitores

Após o resultado do primeiro turno, a campanha de Lula promoveu mudanças na estratégia de comunicação e intensificou a mobilização de apoiadores.

Entre as iniciativas estão a produção de vídeos em formato de selfie com o presidente e a realização de atos públicos em locais como a Avenida Paulista, em São Paulo, e a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
No domingo, durante manifestação na Avenida Paulista, Lula pediu que seus apoiadores procurassem eleitores que não compareceram ao primeiro turno para convencê-los a votar no dia 25.

A estratégia busca ampliar o comparecimento eleitoral, especialmente entre segmentos nos quais a campanha avalia haver potencial de crescimento.

Na área econômica, o presidente também anunciou propostas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs).

Entre as medidas apresentadas estão o perdão de débitos tributários e a previsão de pagamentos de até R$ 5 mil via Pix para o segmento em 2027.Lula também prometeu criar uma modalidade do programa Pé-de-Meia destinada a estudantes universitários, caso seja reeleito.

As iniciativas integram o discurso eleitoral do presidente e devem ser distinguidas de políticas já aprovadas, regulamentadas ou em execução.

Flávio Bolsonaro amplia alianças e muda posição sobre escala 6x1

Do outro lado, Flávio Bolsonaro tem concentrado esforços na construção de alianças com partidos e lideranças políticas que não participaram diretamente de sua candidatura no primeiro turno.
Republicanos, Podemos, União Brasil, Progressistas e Novo estão entre as legendas que anunciaram apoio ao senador.

No MDB, a divisão ficou evidente nesta terça-feira, quando 16 diretórios estaduais declararam apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto outros dez se posicionaram a favor de Lula.

O PSD, que lançou Ronaldo Caiado no primeiro turno, decidiu manter oficialmente a neutralidade, permitindo que seus integrantes escolham livremente quem apoiar.

Caiado e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, declararam apoio ao candidato do PL.
Em sentido contrário, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, derrotado na disputa pelo governo fluminense por Douglas Ruas (PL), manteve o apoio a Lula.

Na apresentação de propostas, Flávio Bolsonaro tem procurado ampliar seu discurso para além do eleitorado tradicionalmente identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o horário eleitoral, afirmou que pretende preservar programas sociais e anunciou a proposta de criação de um Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional e ao empreendedorismo.
Nesta terça-feira, o senador também passou a defender o fim da escala de trabalho 6x1, anunciando voto favorável à mudança em discussão no Senado.

A manifestação representa uma mudança de posicionamento e ocorre em meio à disputa por uma pauta trabalhista que ganhou espaço na campanha presidencial.

O que a pesquisa Quaest revela sobre a reta final da eleição?

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira oferece três elementos para compreender a disputa presidencial.
O primeiro é a manutenção do equilíbrio entre os candidatos, mesmo depois de Flávio Bolsonaro ter terminado o primeiro turno numericamente à frente de Lula.

O segundo é a importância dos eleitores que apoiaram candidaturas derrotadas. Embora Flávio apresente vantagem numérica em segmentos associados a Renan Santos e Ronaldo Caiado, uma parcela expressiva desses grupos ainda declara intenção de não escolher nenhum dos finalistas.

O terceiro é o peso da mobilização eleitoral. Com apenas 1% de indecisos na pesquisa estimulada, a disputa não depende exclusivamente de convencer quem ainda não escolheu um candidato.

Também envolve conquistar eleitores que hoje declaram voto branco ou nulo, estimular o comparecimento às urnas e tentar mudar a preferência de pessoas que já manifestaram uma escolha.

A Quaest não permite apontar um favorito estatisticamente definido neste momento. O levantamento mostra uma vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas confirma que a disputa permanece aberta dentro da margem de erro.

Até 25 de outubro, os debates, as entrevistas, as propostas apresentadas e a capacidade de mobilização das campanhas serão fatores relevantes para acompanhar possíveis mudanças no comportamento do eleitorado. Conforme tem mostrado o site Jamildo.com.

Lula bolsonaro Quaest