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Professor denuncia ter sido barrado em show beneficente em Petrolina por usar adesivo de Lula

Jamildo Melo | Publicado em 12/10/2026, às 20h16

Caso relatado por professor levanta discussão sobre liberdade de manifestação política em eventos abertos ao público. - G1 Petrolina
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O professor e advogado Mateus Lopes da Silva denunciou que foi impedido de entrar em um evento beneficente em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, por estar usando um adesivo do presidente Lula (PT). Segundo ele, um segurança da festa exigiu a retirada do adesivo como condição para permitir seu acesso.

O episódio ocorreu nesta segunda-feira, conforme relato do professor, por volta das 18h, na entrada de um evento realizado nas proximidades do Parque Municipal Josepha Coelho.

Mateus afirmou que saiu de casa levando um alimento não perecível para contribuir com a iniciativa e colocou um pequeno adesivo de Lula no peito, em manifestação de sua preferência política no segundo turno da eleição presidencial.

Ao chegar ao local, entregou o alimento, mas foi abordado por um integrante da equipe de segurança.

"Eu não posso deixar o senhor entrar porque é ordem da minha chefia, mas com adesivo no peito o senhor não pode entrar", teria informado o segurança, segundo o professor.

Mateus disse que questionou a determinação e argumentou que a Constituição assegura o direito à livre manifestação do pensamento.

"Mas é direito constitucional meu a livre manifestação da minha preferência política no meu corpo. Isso está previsto no artigo quinto da Constituição", relatou, em relato ao site Jamildo.com.

De acordo com o professor, o funcionário manteve a restrição e informou que a única maneira de entrar seria retirando o adesivo.

"Aí eu tive que tirar o adesivo do peito, e aí ele deixou eu entrar", afirmou.

O advogado também relatou que outros profissionais de segurança se aproximaram durante a discussão, situação que, segundo ele, provocou constrangimento.

"Eu filmei tudo isso porque acho um abuso e acho também que a gente não pode permitir isso", declarou.

Show beneficente em Petrolina tem João Gomes e arrecadação de doações

O evento ocorre no contexto das atividades beneficentes realizadas no Parque Municipal Josepha Coelho, em Petrolina.

Conforme reportagem publicada pelo g1 Petrolina, o projeto Abrace um Denguinho anunciou uma programação gratuita para 12 de outubro, com apresentação do cantor João Gomes e convidados, além de atividades recreativas voltadas às crianças.

A iniciativa tem como objetivo arrecadar doações para o Hospital Dom Tomás, que atende pacientes com câncer, e para o Transforma Petrolina, programa de mobilização social do município.

Segundo o g1, a programação foi organizada para começar às 14h, com pintura de rosto, contação de histórias, oficina de slime, karaokê, brinquedos infláveis e outras atividades infantis.

A campanha de arrecadação inclui alimentos não perecíveis, como leite em pó, sardinha e óleo de cozinha, destinados ao Transforma Petrolina. O Hospital Dom Tomás também recebe doações financeiras por meio de seu site.

Foi justamente com um alimento não perecível, segundo seu depoimento, que o professor Mateus Lopes da Silva tentou ingressar no evento.

Liberdade de manifestação política entra em discussão

A denúncia ocorre durante o segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

O artigo 5º da Constituição Federal assegura a liberdade de manifestação do pensamento e de expressão. A legislação eleitoral também prevê a possibilidade de manifestação individual e silenciosa de preferência política, observadas as restrições legais.

No entanto, a avaliação sobre eventual irregularidade na abordagem depende das circunstâncias e das regras aplicáveis ao evento.

A questão central é se a organização poderia condicionar o acesso de um participante à retirada de um adesivo de preferência eleitoral, especialmente em uma atividade beneficente aberta ao público.

Mateus sustenta que não promovia qualquer manifestação coletiva ou atividade de campanha, limitando-se a utilizar o adesivo no peito.

Até o momento, além da versão apresentada pelo professor, não foram disponibilizados esclarecimentos da organização do evento ou da empresa de segurança sobre a existência de regras para o uso de adesivos eleitorais.

Também não há informação sobre eventual aplicação da mesma restrição a apoiadores de outros candidatos.

Lula Petrolina bolsonaro

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