PF investigará Flávio Bolsonaro por repasses do Banco Master para "Dark Horse" após autorização de André Mendonça

Cynara Maíra | Publicado em 11/09/2026, às 09h43 - Atualizado às 10h14

Flávio Bolsonaro leu carta escrita em próprio punho por Jair Bolsonaro antes de cirurgia - Reprodução
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A investigação apura se o parlamentar cometeu crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas nas negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme "Dark Horse", produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mendonça assinou a autorização judicial no dia 22 de julho, atendendo a um pedido da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O documento veio a público nesta sexta-feira (11), depois que o relator retirou o sigilo dos autos principais do caso Banco Master a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. A petição específica com as diligências contra Flávio continua tramitando sob segredo de Justiça.

As suspeitas ganharam força após a apreensão de mensagens em que o senador cobrava repasses de Vorcaro, ex-controlador do Master, para a obra cinematográfica.

Planilhas em poder da PF indicam que o banqueiro pagou pelo menos R$ 61 milhões ao projeto, dentro de uma negociação que previa R$ 131 milhões.

A apuração tenta rastrear o caminho do dinheiro, enviado à produtora por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Os investigadores também apuram se parte dos valores cobriu despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no exterior.

Nesta semana, Mendonça homologou o acordo de delação premiada do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Dono da empresa Entre Investimentos, o delator confirmou à PGR ter feito sete transferências para o fundo norte-americano ao longo de 2025, somando US$ 12,3 milhões, a mando de Vorcaro.

Durante agenda de campanha em Roraima na quinta-feira (10), Flávio Bolsonaro negou irregularidades e disse que a captação foi estritamente privada. "Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso", afirmou o candidato do PL.

O processo contra o senador corre em uma frente diferente da Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira pelo ministro Flávio Dino. Enquanto Mendonça apura a verba repassada por Vorcaro, Dino investiga o suposto desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para entidades ligadas à produtora da obra.

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