Plantão Jamildo.com | Publicado em 05/02/2026, às 18h30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aderiu à pauta da esquerda e defendeu, nesta quinta-feira (5), o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada no Brasil, ao afirmar que as relações de trabalho precisam ser atualizadas diante dos avanços tecnológicos e das mudanças no perfil da sociedade. A declaração foi feita em entrevista ao vivo ao UOL, concedida à colunista Daniela Lima.
Durante a conversa, Lula disse que a manutenção de cargas horárias semelhantes às praticadas décadas atrás não dialoga com a realidade atual do país. Segundo o presidente, transformações tecnológicas ampliaram a produtividade e abriram espaço para uma reorganização do trabalho sem prejuízos econômicos.
O presidente afirmou que a juventude e as mulheres demandam mais tempo para atividades fora do ambiente profissional, como estudo, cuidado com a família e vida pessoal. Para ele, essas reivindicações precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas. “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem a mesma jornada que trabalhavam há 40 anos atrás?”, questionou.
Lula ressaltou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 não deve ser tratada como uma decisão unilateral do Executivo. Segundo ele, o tema exige diálogo entre o Congresso Nacional, o setor empresarial e os trabalhadores, para que haja consenso sobre mudanças na legislação trabalhista.
Na entrevista, o presidente afirmou que a tecnologia permite ganhos de produtividade capazes de sustentar uma redução da jornada. “Está na hora da gente fazer uma mudança na jornada de trabalho desse país para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, declarou.
Lula também rebateu críticas de setores empresariais e do mercado financeiro, afirmando que não orienta suas decisões com base em apoio político ou eleitoral. “Eu não trabalho apenas pensando no apoio. A minha cabeça não funciona assim”, disse, ao citar decisões adotadas em mandatos anteriores que, segundo ele, priorizaram o país mesmo com desgaste político.
Ao abordar a política econômica, o presidente mencionou a isenção do imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, medida aprovada pelo Congresso em 2025. Segundo Lula, a iniciativa representa um alívio significativo para essa faixa salarial. “Uma professora que ganha R$ 5 mil vai ter um ganho de R$ 800 por ano. É como um 14º salário”, afirmou.
O presidente disse que a medida será financiada por contribuintes de maior renda e afirmou que é a primeira vez que trabalhadores nesse patamar deixam de pagar imposto de renda. “110 mil pessoas mais ricas do Brasil”, afirmou, ao se referir ao grupo que, segundo ele, compensará a renúncia fiscal.
Lula criticou ainda a avaliação de que políticas sociais representam gastos excessivos. Para ele, iniciativas como aumento real do salário mínimo, programas de transferência de renda, subsídios ao gás de cozinha e investimentos em saúde e educação devem ser vistos como investimentos. “Quando você dá aumento de salário, você está investindo na pessoa”, disse.
Na avaliação do presidente, os indicadores econômicos positivos ainda não se refletiram plenamente em apoio eleitoral porque os primeiros anos do governo foram voltados à reconstrução de estruturas desmobilizadas em gestões anteriores. Segundo Lula, 2026 marca o início da fase de resultados, com a retomada de obras, expansão dos institutos federais, investimentos em hospitais universitários e ampliação do acesso a tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao final da entrevista, o presidente voltou a defender um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico, justiça social e valorização do trabalho. “Esse país precisa pensar na melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou, ao reiterar que a discussão sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1 faz parte desse projeto.
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