Jamildo Melo | Publicado em 25/09/2026, às 12h30 - Atualizado às 13h23
O presidente Lula (PT) levou para o ato político desta sexta-feira (25), no Recife Antigo, um dos temas que mais têm provocado confronto na campanha pelo Governo de Pernambuco: as casas de apostas online. Ao lado de João Campos (PSB), Lula escreveu e levantou um cartaz com a frase “fim das bets” durante a caminhada em direção ao Marco Zero.
"Eu vou acabar com as bets. O dinheiro do jogo é para poder comprar comida para as crianças", afirmou, depois de ter dito que havia muita gente devendo no Brasil ou doente. "Se tiver vontade de jogar, compra um leite, compra um litro de leite para sua casa. Não é correto jogar o que não tem para ganhar o que não existe"
O gesto ocorreu justamente quando as bets se tornaram uma das principais armas da disputa entre João Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD).
No palanque, Lula acaba de anunciar o fim das bets e novas medidas contra o setor, além de ter dito que os times de futebol devem se virar para se financiar, sem depender das bets.
Informações divulgadas nesta sexta apontam que o governo prepara uma medida provisória para restringir as apostas online e um projeto para endurecer as punições relacionadas à exploração ilegal da atividade.
No Recife, o assunto ganhou um componente eleitoral adicional.
O presidente participou de caminhada entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero acompanhado por João Campos e integrantes da Frente Popular. Também participaram do ato os candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT).
A presença de Lula havia sido preparada pela campanha de João como uma oportunidade para reforçar a associação entre o socialista e o presidente na reta final da eleição estadual.
O Jamildo.com mostrou na quinta-feira (24) que o ato teria concentração no Cais de Santa Rita e seguiria até o Marco Zero. O evento também provocou mudanças no trânsito da região central do Recife.
Foi durante esse percurso que Lula colocou no papel a mensagem “fim das bets” e exibiu o cartaz ao público ao lado de João.
A cena tem significado particular na campanha pernambucana porque o próprio João Campos vem sendo cobrado pelos adversários pela política tributária adotada para empresas do setor quando era prefeito do Recife.
Nos últimos dias, a governadora Raquel Lyra, antes da visita do presidente e candidato à reeleição recorreu duas vezes a publicações de Lula contra as bets para questionar João Campos.
Na manifestação mais recente, destacada pelo Jamildo.com na quinta-feira (24), Raquel afirmou que Pernambuco estava disposto a participar do enfrentamento aos efeitos das apostas e voltou a questionar a redução, no Recife, da alíquota do ISS cobrada das empresas do setor, de 5% para 2%.
A estratégia produziu uma situação incomum na disputa estadual: Raquel passou a utilizar o discurso de Lula, principal aliado nacional de João Campos, para atacar uma decisão tomada pelo socialista na Prefeitura do Recife.
A governadora relacionou as bets ao endividamento e a problemas de saúde e sustentou que o poder público não deveria estimular o segmento.
Antes disso, Raquel já havia entrado em outra publicação do presidente sobre o tema e afirmado que, após a redução do imposto municipal, o Recife teria virado a “capital das bets”.
João Campos respondeu às cobranças dos adversários durante entrevista ao PodJá, o podcast do Jamildo.com, na terça-feira (22).
O candidato afirmou ser pessoalmente contrário às apostas, mas defendeu a política tributária adotada quando comandava a Prefeitura do Recife.
Segundo João, a regulamentação federal permitiu ao município ampliar fortemente a arrecadação sobre uma atividade que passou a funcionar legalmente no país. Ele sustentou que o Recife saiu de uma arrecadação de cerca de R$ 80 mil em seis anos para aproximadamente R$ 80 milhões por ano com o setor.
João também defendeu restrições nacionais às apostas.
Durante a entrevista, o socialista devolveu a cobrança à governadora e mencionou uma suposta relação envolvendo uma advogada ligada a uma empresa de apostas e pagamentos por Pix a pessoas que atuavam nas redes sociais. A afirmação ocorreu no contexto da disputa eleitoral e, isoladamente, não comprova irregularidade.
O terceiro candidato ao Governo, Ivan Moraes (PSOL), também transformou as bets em tema de campanha.
Em entrevista ao PodJá, Ivan criticou tanto João Campos quanto Raquel Lyra. Questionou a redução do ISS no Recife e lembrou a presença de empresas de apostas como patrocinadoras de eventos públicos realizados em cidades administradas pelos dois adversários.
Ivan afirmou que, caso seja eleito, empresas de apostas não poderão patrocinar eventos promovidos pelo Governo de Pernambuco nem receber redução de impostos estaduais.
O cartaz levantado por Lula nesta sexta acrescenta um novo elemento à disputa.
De um lado, Raquel vinha tentando vincular João Campos às bets e utilizando as próprias manifestações de Lula para sustentar sua cobrança.
Do outro, João passou a aparecer ao lado do presidente justamente no momento em que Lula transforma o combate às apostas em uma pauta nacional.
A discussão sobre quem incentivou, tributou ou recebeu patrocínio de empresas do setor, portanto, tende a continuar no debate estadual mesmo diante da posição pública dos três principais candidatos ao Governo contra os efeitos das apostas.
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