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Karoline Fernandes explica táticas de manipulação digital e métodos para combater notícias falsas no PodJá

Cynara Maíra | Publicado em 07/11/2026, às 09h42 - Atualizado às 10h15

Jornalista Karoline Fernandes é a entrevistada do PodJá- O podcast do Jamildo desta semana - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com
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A jornalista, professora e doutora em Ciência da Informação Karoline Fernandes afirmou que o combate à desinformação depende de treino cognitivo prévio e não apenas da checagem tradicional de fatos.

Em entrevista ao jornalista Jamildo Melo, no PodJá, a pesquisadora detalhou o lançamento do livro "Meias Verdades: aprenda a desmascarar táticas de desinformação e combater as fake news", fruto de sua tese de doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A autora explicou que os conteúdos manipulados ganham força nas plataformas digitais ao atingirem crenças pessoais, medos e sentimentos de validação do público. Segundo Fernandes, a circulação desse material supera com facilidade o alcance de correções jornalísticas posteriores.

O episódio completo com Karoline Fernandes vai ao ar neste sábado, às 14h, no canal do Jamildo.com no YouTube e nas plataformas de áudio.

Inoculação psicológica e categorias de manipulação

Na conversa, Karoline Fernandes apresentou o conceito de "inoculação psicológica".

A metodologia funciona de forma similar a uma vacina biológica ao expor o cidadão a pequenas doses de discursos manipulativos junto a explicações sobre a sua estrutura enganosa. O objetivo é treinar a mente para identificar a fraude antes que ela se enraíze.

Ao analisar publicações desmascaradas pela agência Lupa, a autora mapeou cinco estratégias de manipulação política:

"Nós temos a falsa identidade, que é o conteúdo travestido de linguagem jornalística construído para enganar. Temos a polarização, a emoção com elementos morais e religiosos, a difamação voltada a atacar a reputação de categorias e mulheres, e as teorias da conspiração", detalhou a pesquisadora.

A jornalista alertou que dados verdadeiros retirados de contexto produzem um efeito mais desorientador do que invenções completas. Ela citou boatos sobre a cobrança do Pix e distorções contra o sistema financeiro como exemplos de exploração do medo coletivo.

Gamificação, startups e projetos educativos

A pesquisa de Karoline Fernandes gerou a criação do jogo "Meias Verdades". No protótipo voltado para adultos, o usuário assume o papel do manipulador para entender a mecânica de propagação de boatos. A experiência acadêmica avançou e deu origem à startup Literacia Edu, focada em produtos para o ambiente escolar. O material também está na programação do Rec'n'play nos dias 12 e 13 de novembro, com realização na Livraria Jaqueira. 

Uma nova versão do jogo foi construída com apoio da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Sudene. A ferramenta agora adota uma narrativa voltada para crianças, com a personagem Ana enfrentando o vilão Dr. Click.

A startup desenvolve também o projeto Código PATA, focado na proteção e combate a violências contra animais disseminadas em aplicativos, e o Código ADA, voltado ao letramento computacional e algorítmico na rede municipal de Paudalho.

Regulamentação das plataformas e papel do jornalismo

Ao abordar a atuação das grandes empresas de tecnologia, a pesquisadora defendeu a aprovação de leis para responsabilizar as redes sociais no país. Ela argumentou que as plataformas lucram com a circulação da atividade jornalística profissional sem remunerar quem produz as apurações.

Fernandes destacou ainda que o jornalismo profissional e as universidades seguem como as principais referências de validação democrática contra campanhas orquestradas:

"A primeira pergunta que temos que fazer sempre é qual emoção estamos sentindo ao ver um conteúdo. É medo, raiva, sensação de validação? Em segundo lugar, precisamos buscar fontes confiáveis, e o jornalismo continua sendo uma instituição basilar para a nossa democracia", concluiu.

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