Jamildo Melo | Publicado em 15/10/2026, às 08h34
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), voltou a ser pressionada por aliados para declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O deputado federal eleito Gilson Machado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendeu publicamente que a governadora se aproxime do candidato do PL. Para ele, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria mais favorável à administração estadual, especialmente diante da possibilidade de o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) ganhar espaço em um novo governo Lula.
A manifestação ocorreu após um almoço promovido por Raquel Lyra, nesta quarta-feira (14), com deputados federais, estaduais, senadores e prefeitos. O encontro reuniu representantes de diferentes forças políticas que participaram da disputa eleitoral em Pernambuco.
Gilson Machado e seu filho, o deputado estadual eleito Gilson Machado Filho, estiveram entre os apoiadores da reeleição da governadora, mesmo sem Raquel ter aderido à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Na avaliação de Gilson Machado, a eleição de Flávio Bolsonaro, combinada com a presença de parlamentares de direita no Congresso Nacional, poderia facilitar a articulação de recursos e projetos para Pernambuco.
O deputado também apresentou um argumento relacionado à disputa estadual: o risco de João Campos, derrotado por Raquel Lyra na eleição para governador, assumir um ministério em um eventual novo mandato de Lula.
"Raquel sabe que ter Flávio na Presidência com uma bancada de direita eleita forte no Senado e na Câmara Federal é o melhor pra Pernambuco. Não seria nada interessante ter João Campos como ministro de Lula fazendo oposição a ela e consequentemente dificultando as ações pra Pernambuco", afirmou Gilson Machado, em informe ao site Jamildo.com.
A declaração representa uma avaliação política do deputado, e não uma decisão anunciada por João Campos ou pelo presidente Lula.
Não há, nas informações apresentadas, confirmação de convite ou negociação para que João Campos assuma um ministério. A hipótese é utilizada por Gilson Machado como argumento para defender o alinhamento da governadora com Flávio Bolsonaro.
Reeleita no primeiro turno com 53,27% dos votos válidos, Raquel Lyra adotou uma posição de distanciamento da disputa presidencial durante a campanha estadual.
A governadora recebeu apoios de lideranças de diferentes campos políticos, incluindo aliados do bolsonarismo, mas evitou vincular sua candidatura diretamente à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Até esta quinta-feira (15), a posição informada pela governadora permanece sem declaração formal de apoio a qualquer um dos dois presidenciáveis no segundo turno.
A neutralidade permite a Raquel preservar relações políticas com diferentes grupos, embora também gere cobranças de aliados interessados em uma definição eleitoral.
O cenário ganhou importância depois da derrota de João Campos na eleição estadual. O ex-prefeito do Recife permanece como uma das principais lideranças da oposição ao governo Raquel Lyra e integra o campo político de apoio a Lula.
A possibilidade de uma aproximação entre a governadora e Flávio Bolsonaro também envolve cálculos para além da eleição presidencial, incluindo a relação com o Congresso Nacional e a composição da base governista em Pernambuco.
Outro argumento apresentado por Gilson Machado é a experiência de articulação institucional que manteve com Raquel Lyra quando ocupava o Ministério do Turismo no governo Jair Bolsonaro e ela administrava a Prefeitura de Caruaru.
O deputado federal eleito sinaliza que pretende atuar como interlocutor da governadora em Brasília, independentemente das diferenças partidárias.
A relação anterior é citada por seus aliados como exemplo de cooperação administrativa entre os dois políticos.
Entretanto, a eventual eleição de Flávio Bolsonaro não garante, por si só, maior transferência de recursos federais para Pernambuco. A execução de investimentos depende de decisões orçamentárias, projetos, negociações institucionais e critérios legais.
Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual eleito Gilson Machado Filho também sinalizou disposição para apoiar o governo Raquel Lyra.
Ele se reuniu com a governadora no Palácio do Campo das Princesas um dia depois das eleições, em um gesto de aproximação política.
"Nosso estado terá uma dupla pra caminhar junta por melhoras na Alepe e no Congresso. Essa foi uma promessa de campanha minha e de meu pai", declarou Gilson Machado Filho.
A movimentação indica que os dois parlamentares pretendem atuar de maneira coordenada, um na Câmara dos Deputados e outro na Assembleia Legislativa.
O apoio de Gilson Machado Filho pode contribuir para ampliar a sustentação política da governadora na Alepe, onde a relação entre Executivo e Legislativo será importante para a votação de projetos e a definição das prioridades do segundo mandato.
A defesa de uma aliança entre Raquel Lyra e Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de reorganização das forças políticas pernambucanas após as eleições de 4 de outubro.
A governadora saiu fortalecida das urnas com a vitória no primeiro turno, enquanto João Campos, apesar da derrota, recebeu cerca de 2,2 milhões de votos e permanece como liderança relevante da oposição.
No plano nacional, Lula e Flávio Bolsonaro disputam o apoio de governadores, parlamentares e partidos que não se comprometeram formalmente com um dos candidatos.
Para Gilson Machado, a escolha de Raquel Lyra deve considerar não apenas o resultado da eleição presidencial, mas também os efeitos da futura composição política em Brasília sobre a disputa de poder em Pernambuco.
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