Jamildo Melo | Publicado em 27/10/2026, às 15h53
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta uma sequência de problemas políticos e judiciais após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Além de deixar o Senado em fevereiro de 2027, Flávio é alvo de investigações da Polícia Federal e teve os passaportes cancelados depois de não entregar os documentos no prazo fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta terça-feira (27), a PF também passou a verificar informações sobre uma possível saída do senador do Brasil. Até o momento, porém, a fuga não está confirmada. Por coincidência, no dia de hoje o presidente Lula comemora anivesário. Também é apenas o segundo dia depois das eleições nacionais.
A suspeita ganhou força depois que o site argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira e embarcado em um avião com destino aos Estados Unidos.
Segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal verifica pontos de fronteira e voos entre Brasil e Argentina. Até o momento da apuração do jornal, não havia sido encontrado registro de passagem pela fronteira regular com o país vizinho.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, negou ao Metrópoles que ele tenha saído do Brasil. Isto foi mais cedo. Depois, o colunista Igor Gadelha divulgou que a senadora eleita Michele Bolsonaro confirmou a aliados que ele deixou o Brasil.
Na segunda-feira (26), o próprio Flávio afirmou que nunca havia pensado em fugir e disse que entregaria seus passaportes. A declaração foi dada após ele ser informado da decisão que o proibia de deixar o país.
Um vídeo que circulou nas redes sociais como se mostrasse uma viagem do senador aos Estados Unidos após a eleição é antigo: a reportagem foi exibida em maio, segundo checagem da Reuters.
Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes e proibiu o senador de sair do Brasil e de manter contato com o advogado e empresário Willer Tomaz.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado, amigo de Flávio.
Como o senador não entregou os documentos no prazo fixado pela Justiça, a Polícia Federal cancelou seus passaportes nesta terça-feira, informou a Agência Brasil.
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar possíveis crimes financeiros na relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A investigação examina suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a empresas de apostas. Na campanha, Lula acabou com as empresas de apostas. Mas a MP pode cair no Congresso.
Entre os documentos analisados pelos investigadores estão mensagens sobre uma conta da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer e registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Segundo relatório da PF divulgado pela CNN, a documentação indicava Flávio como “usuário master” da conta, condição que poderia lhe dar acesso e poder de gerenciamento. A defesa do senador nega que ele tenha tido acesso ou poderes sobre contas de empresas do advogado.
A relação entre os dois também inclui viagens internacionais. A PF apura, entre outros pontos, os vínculos financeiros e empresariais identificados na investigação. A existência de amizade ou de viagens conjuntas, por si só, não comprova crime.
Willer também é investigado em uma apuração relacionada ao esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. Nesse outro inquérito, Flávio não é investigado, segundo a BBC News Brasil.
Na sexta-feira (23), Moraes determinou medidas contra Willer, incluindo o bloqueio de bens até o limite de R$ 6 bilhões, o cancelamento de passaportes e a suspensão das atividades de suas empresas. O advogado nega irregularidades em seus negócios.
Flávio também é investigado em um inquérito separado sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apuração examina possíveis crimes relacionados ao repasse de recursos do Banco Master para a produção. Segundo a BBC News Brasil, o valor sob análise é de quase R$ 70 milhões.
O senador nega as acusações. As investigações não equivalem a uma condenação e ainda precisam ter seus fatos esclarecidos.
No segundo turno, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O senador havia terminado o primeiro turno à frente do presidente, mas viu o adversário virar a disputa em 25 de outubro.
A derrota impede Flávio de assumir a Presidência em janeiro. Seu mandato de senador termina em fevereiro de 2027.
Com o encerramento do mandato, haverá discussão sobre a competência para conduzir os inquéritos. A mudança de cargo não significa, automaticamente, que todos os processos deixarão o STF: o destino de cada apuração dependerá das regras aplicáveis e das decisões da Justiça.
Apesar da derrota, Flávio recebeu quase 60 milhões de votos, o que lhe dá peso na reorganização da oposição, antes de deixar o Brasil. Na segunda-feira, ele mudou o discurso e afirmou que pretende pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin por suposto abuso de poder político e econômico. A acusação precisará ser apresentada e examinada pela Justiça.
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