Cynara Maíra | Publicado em 24/10/2026, às 10h55
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram na noite desta sexta-feira (23) do debate da TV Globo. O encontro marcou o último confronto direto entre os dois candidatos antes da votação do segundo turno, marcada para este domingo (25).
A transmissão ocorreu dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. O programa reuniu discussões sobre economia, saúde e segurança pública, mas trocas de acusações e ataques pessoais entre os postulantes dominaram diversos momentos do debate.
O primeiro embate mais ríspido ocorreu durante a discussão sobre o salário mínimo. Flávio Bolsonaro afirmou que o petista concederia benefícios com uma mão e tira com os nove dedos, fazendo alusão ao acidente de trabalho em que Lula perdeu o dedo mínimo aos 17 anos.
Lula reagiu na fala seguinte e chamou o adversário de miliciano. O presidente afirmou que trabalhou como metalúrgico e perdeu o dedo em uma prensa mecânica, dizendo que não aceitaria ser chamado pelo termo por alguém ligado a milícias.
Flávio pediu desculpas pelo comentário sobre o dedo de Lula, mas cobrou que o petista pedisse desculpas pelo aumento da população em situação de rua no país.
A segurança pública também gerou tensão quando Lula citou a morte de Ana Clara, menina de cinco anos assassinada a tiros em 2021. O presidente lembrou que Flávio atuou como advogado de defesa do policial acusado pelo disparo.
Ao responder, Flávio se dirigiu à mãe da menina, presente na plateia, mas cometeu um equívoco e a chamou pelo nome da filha falecida. O senador prestou solidariedade e afirmou ter confiança de que o policial não efetuou o tiro.
Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, falou para Globo no intervalo do debate, citando que Flávio teria causado o adiamento do juri duas vezes em 2026.
"Um policial subiu atirando e baleou minha filha dentro de casa, foi comprovado na perícia. Ele (Flávio) conseguiu anular o júri duas vezes só neste ano, com a influência de senador. Ele é um monstro, igual ao monstro que matou a minha filha", disse a mãe da jovem que morreu em 2021, aos cinco anos.
No bloco econômico, Flávio Bolsonaro concentrou os questionamentos no aumento do custo de vida e no endividamento das famílias. O candidato do PL afirmou que a população enfrenta dificuldades para comprar alimentos e criticou a cobrança de impostos no país.
Flávio prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação, além de usar a Caixa Econômica Federal para refinanciar dívidas de famílias e empresas com suspensão temporária de pagamentos.
Lula respondeu afirmando que o adversário copiava propostas já em andamento no governo federal. O presidente citou as edições do programa Desenrola e afirmou que enviou medidas ao Congresso para realizar leilões de dívidas com desconto nos bancos.
Na área de saúde, Lula cobrou o adversário sobre declarações de integrantes da campanha do PL que defendiam cortes no Sistema Único de Saúde (SUS). Em resposta, Flávio afirmou que manterá e ampliará os repasses para o SUS, dizendo que cortará gastos com corrupção e burocracia.
O quarto bloco funcionou com tema livre e reuniu acusações sobre investigações e casos de repercussão nacional. Lula cobrou explicações de Flávio sobre a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis envolvendo o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz.
Flávio negou qualquer irregularidade na titularidade da propriedade e afirmou que o atleta comprou terras de invasores.
Em seguida, o senador questionou Lula sobre uma suposta garrafa de uísque no valor de R$ 500 mil que teria sido dada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao presidente.
Lula negou ter recebido qualquer bebida e rebateu apontando as ligações financeiras de Vorcaro com a família Bolsonaro.
O petista citou os aportes do banqueiro na cinebiografia de Jair Bolsonaro e relembrou reportagens sobre reuniões com representantes da vacina Covaxin em uma lancha, que teria envolvido o encontro com garotas de programa durante a pandemia. Flávio respondeu que os recursos para o filme passaram pelo Banco Central e não envolveram verba pública.