Túlio x Marília e Mendonça no fogo cruzado: 2º debate ao Senado foca em embates e polarização nacional

Cynara Maíra | Publicado em 11/09/2026, às 07h53 - Atualizado às 08h46

- TV NOVA
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Na quinta-feira (10), ocorreu o segundo debate com candidatos ao Senado, dessa vez promovido pela Rádio Cultura FM, de Caruaru, em parceria com o Diário de Pernambuco e a TV Nova Nordeste. 

Ao contrário do tom mais ameno do debate do G1, ocorrido na quarta-feira passada, 2 de setembro, o encontro desta semana teve embates mais pessoais entre os candidatos, chegando a trocas de acusações e direito de resposta.

O programa contou com a participação dos candidatos Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadelha (PSD).  Carlos Sant'Anna (Novo)  foi convidado, mas não compareceu ao estúdio por conflitos de agenda. 

A Rádio Cultura FM também promoverá um debate com os candidatos ao Governo de Pernambuco nesta sexta-feira (11), a partir das 9h. 

Com direitos de resposta e embates mais diretos, o que se viu nesse debate foi maior conflito entre os candidatos. Apesar da composição à direita de Eduardo da Fonte e Mendonça Filho, com Eduardo focando no Centro, as principais disputas ficaram concentradas em Mendonça, que cresceu nas pesquisas mais recentes e é visto como ameaça para maioria dos candidatos. 

O político teve embates com Marília Arraes, Humberto Costa e Eduardo da Fonte, o último sendo mais provocado pelo próprio deputado do PL. Túlio Gadelha também chegou a questionar Mendonça sobre vínculo com o PL e a atuação do político no Ministério da Educação, mas com tom mais ameno, comparado aos outros adversários. 

Marília Arraes e Túlio Gadelha trocam direitos de resposta após ataques de ambos em debate

O primeiro confronto ocorreu entre a ex-deputada Marília Arraes (PDT) e o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD).

Túlio abriu a rodada questionando desavenças políticas do passado da pedetista. "Você é uma mulher de coragem, mas na sua caminhada você brigou com Eduardo Campos, brigou com Renata Campos, brigou com João Campos e brigou com o próprio PT. Como você se vê no Senado com esse histórico de confusões?", perguntou o parlamentar.

Marília rebateu acusando o adversário de machismo. "Quando uma mulher é firme em suas convicções e defende o que acredita, ela é chamada de 'brigona', 'complicada' e rótulos afins. Sou a única mulher candidata ao Senado e tenho sofrido machismo estrutural todos os dias. A fala do candidato foi extremamente machista", afirmou a candidata.

A tensão aumentou quando Túlio relembrou a disputa estadual de 2022. "A candidata fala de mulheres, mas quando a governadora perdeu o esposo durante a campanha passada, a candidata não abriu mão da inserção de TV no guia eleitoral. Não acho que isso seja ser solidário com uma mulher", declarou Túlio.

O episódio gerou direitos de resposta para ambos os lados concedidos pela banca jurídica da OAB. Ao se defender, Túlio disse que cobrava apenas empatia política. Marília afirmou no bloco seguinte que o parlamentar cumpria ordens de terceiros.

"Fico triste em ver o candidato Túlio cumprindo um papel favorável à extrema-direita e atrapalhando os verdadeiros candidatos do presidente Lula. Eu brigo, sim. Brigo pelos direitos das mulheres, dos trabalhadores e pelo povo de Pernambuco", declarou.

Mendonça Filho pressiona Eduardo da Fonte sobre disputa presidencial e Dudu acusou candidato de ser contra o trabalhador em debate

A disputa pelo voto conservador colocou em confronto Mendonça Filho (PL) e Eduardo da Fonte (PP). O deputado do PL pressionou o colega a declarar sua posição na eleição presidencial. "Você está desviando da pergunta, qual é o seu voto para presidente, Flávio Bolsonaro, Lula ou Cury?", questionou Mendonça.

Dudu evitou o alinhamento nacional e defendeu sua atuação parlamentar. "Eu voto pela saúde e pela inclusão do povo de Pernambuco. Não preciso dessa polarização para defender entregas reais e o trabalho ao lado da governadora Raquel Lyra", respondeu o presidente estadual do PP.

O bate-boca continuou quando Dudu acusou o adversário de ter assinado, em 2018, a portaria ministerial que barrou a abertura de cursos de medicina. "Não mente, me respeite. Você é o responsável por isso, Mendonça Filho, na vida da educação do povo pernambucano", disparou o candidato do PP. Mendonça devolveu dizendo que o concorrente faltava com a verdade e criticou o histórico do colega de Câmara. "Lamentável é ter vários mandatos e nenhuma entrega ao povo pernambucano", retrucou Dudu.

Humberto chama Mendonça de "Mãos de Tesoura", que chama petista de mentiroso 

O senador Humberto Costa (PT) também protagonizou discussão com Mendonça Filho sobre investimentos federais na educação. "Você foi conhecido como 'Mendonça Mãos de Tesoura' porque você e seu governo cortaram recursos importantes para a área da educação", disse o petista ao citar a gestão Michel Temer.

Mendonça rebateu de imediato e atacou o legado petista. "Humberto, você continua mentindo. É impossível a gente debater com mentiras. Na verdade, eu consertei o Fies, vocês deixaram um rombo de mais de R$ 20 bilhões", declarou o candidato do PL.

Na segurança, Mendonça defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos e acabar com audiências de custódia, medidas rejeitadas por Humberto sob a justificativa de que jogariam jovens nas mãos de facções.

Em outro momento, Marília Arraes questionou Mendonça sobre o golpe militar e os atos de 8 de janeiro. "Mendonça hoje se coloca como democrata, mas é fruto de um grupo político ligado ao regime ditatorial que matou e torturou", disse Marília.

O deputado do PL respondeu admitindo a ruptura democrática, mas atacou o Judiciário. "Sobre 1964, foi uma ruptura democrática indiscutível. Houve mortos e torturados, e a história demonstra isso, não manipulo a história. O que não dá para admitir hoje é a omissão quanto à forte interferência do STF na política e no funcionamento do Parlamento", defendeu Mendonça.

Principais propostas citadas 

No campo das propostas, Paulo Rubens Santiago (Rede) defendeu a destinação de 10% do PIB para a educação básica e a proibição de publicidade de casas de apostas.

Humberto Costa defendeu a criação de um trem regional entre Recife e Caruaru orçado em R$ 3,5 bilhões pelo PAC.

Marília Arraes propôs a inclusão de remédios contra a obesidade na Farmácia Popular e recursos fixos para Delegacias da Mulher abertas 24 horas.

Eduardo da Fonte defendeu a ampliação do Hospital do Câncer do Sertão do Araripe e propôs elevar o teto do BPC para famílias de pessoas com deficiência.

 

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