Autor de pedido de impeachment, Romero Albuquerque diz que Raquel Lyra usa "apelo emocional" para evitar respostas

Cynara Maíra | Publicado em 21/01/2026, às 08h29 - Atualizado às 09h47

Romero Albuquerque critica Raquel Lyra após fala da governadora em Gravatá - Divulgação
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O deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) criticou na terça-feira (20) as declarações da governadora Raquel Lyra (PSD) sobre o pedido de impeachment na Assembleia Legislativa (Alepe).

Autor da solicitação, o parlamentar afirmou que a chefe do Executivo segue sem explicar a ausência de fiscalização na Logo Caruaruense, empresa de ônibus que pertence à família da gestora e supostamente operava de forma irregular há três anos.

Para Romero, Raquel Lyra tenta se esquivar das cobranças técnicas com argumentos subjetivos.

"Junto aos prefeitos, tudo o que a governadora pediu foi para que olhassem nos olhos dela e vissem que ela é uma pessoa honrada. Ninguém está precisando de apelo emocional. Ao anunciar o fechamento da empresa, ela pareceu falar como ex-sócia, e não como chefe de um governo que se omitiu em fiscalizar", disse o deputado.

A reação do parlamentar ocorreu no mesmo dia do discurso de Raquel Lyra em um evento da Amupe, em Gravatá. Na ocasião, a governadora classificou as denúncias como ataques à sua honra e afirmou que a oposição tentava criar uma "cortina de fumaça" e espalhar fake news.

Romero Albuquerque contestou a versão oficial e citou a existência de provas documentais dentro da própria administração estadual.

"Não é a oposição que está inventando. São documentos do próprio governo que provam a existência de um processo administrativo parado há um ano contra a Logo Caruaruense por falta de vistorias e taxas atrasadas", afirmou.

Ele defendeu que o pedido de impeachment não se trata de um ataque pessoal, mas baseia-se em "indícios objetivos" de que a gestão favoreceu a empresa da família em detrimento da segurança dos passageiros.

O pedido de impeachment protocolado por Romero Albuquerque acusa a governadora de crimes de responsabilidade e prevaricação. O documento sustenta que Raquel teria utilizado suas prerrogativas para sobrepor interesses pessoais ao rigor da lei.

O presidente em exercício da Alepe, Rodrigo Farias (PSB), recebeu o requerimento formalmente. A análise de admissibilidade deve ocorrer a partir de 2 de fevereiro, quando a Casa retoma os trabalhos legislativos.

O discurso em Gravatá

Em evento com cerca de 100 prefeitos na terça-feira (20), Raquel Lyra adotou um tom de desabafo. A governadora afirmou que seu legado familiar é de retidão e integridade.

"Vocês podem não gostar de mim, mas não podem me chamar de desonesta. Não se mexe com a honra de pessoas honradas e vocês não vão brincar com a minha biografia", declarou Raquel na ocasião.

Sem citar nomes, a governadora sugeriu que o objetivo dos adversários seria atrapalhar as entregas da gestão e atrasar a aprovação de empréstimos na Alepe.

Mudança na EPTI e trâmite do impeachment

Em meio à crise, o governo estadual mudou o comando da gestão do transporte. Nesta quarta-feira, Raquel publicou no Diário Oficial a exoneração de Antônio Carlos Reinaux da presidência da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). O advogado Yuri Coriolano assumiu o posto.

 

Raquel Lyra Romero Albuquerque

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