“Eduardo Campos drenaria o centro”, dizem autores de livro sobre ex-governador no PodJá

Plantão Jamildo.com | Publicado em 18/04/2026, às 12h38

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Os jornalistas Evaldo Costa e Italo Rocha afirmaram que a trajetória política de Eduardo Campos poderia ter alterado o cenário nacional caso não tivesse sido interrompida tragicamente em 2014. A avaliação foi feita durante entrevista ao PodJá - o podcast do Jamildo, ao comentar o conteúdo do livro “Eduardo Campos em histórias”, que reúne relatos sobre o ex-governador de Pernambuco.

Segundo Evaldo, Campos teria capacidade de influenciar o campo político de centro no país. “Eduardo drenaria esse centro que equivocadamente se une à extrema-direita”, disse. Para ele, o ex-governador poderia atrair esses segmentos para um projeto próprio ou alinhado ao governo federal.

Na entrevista, o jornalista também destacou o perfil de articulação do ex-governador. “Eduardo era um político do diálogo, do entendimento”, afirmou, ao lembrar a capacidade de composição construída durante sua gestão em Pernambuco.

Evaldo citou como exemplo a formação da base política no Estado durante o governo Campos. “Em 2010, pode pesquisar, o centrão estava dentro do governo. Não por concessões fora do padrão, mas pela capacidade de entregas. Qual o político que não quer ficar perto de um governo que tem resultados?”, disse.

Os autores também abordaram o impacto da morte do ex-governador, ocorrida em 13 de agosto de 2014, durante a campanha presidencial. O episódio, registrado em Santos (SP), vitimou outras seis pessoas, entre a equipe da campanha, piloto e copiloto.

Relatos reconstituem apuração do desastre aéreo

Durante a entrevista, os dois jornalistas também relembraram como receberam as primeiras informações sobre a queda da aeronave. Italo Rocha relatou que as notícias iniciais eram desencontradas e apontavam, inicialmente, para um acidente com helicóptero.

Recebi um telefonema dizendo que tinha caído um helicóptero em Santos e que Eduardo poderia estar nele”, afirmou. Segundo ele, a apuração evoluiu rapidamente. “Em poucos minutos, já se falava em avião. A gente começou a checar e a informação foi sendo confirmada aos poucos”, disse o jornalista que atuava na TV Globo.

Italo afirmou que buscou contato com profissionais da imprensa e autoridades para confirmar os dados antes da divulgação. “A gente foi apurando com cautela até ter confirmação completa”, declarou.

Evaldo Costa também relatou o momento em que tomou conhecimento do ocorrido. Ele afirmou que estava na Paraíba quando passou a receber ligações de jornalistas. “As pessoas começaram a ligar dizendo que tinha caído um avião e que Eduardo estava nele”, disse.

O jornalista contou que tentou contato com o ex-governador e pessoas próximas, sem sucesso inicial. “Liguei para Eduardo, caiu na caixa postal. Procurei Percol, mas não atendeu".

Carlos Percol, era jornalista e assessor de imprensa do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência, Eduardo Campos. Ele também foi vitimado no acidente aéreo.

"Aí eu liguei para Molina, que hoje é assessor de Pedro Campos e que acompanhava Eduardo de perto. Liguei três vezes até que ele atendeu e disse: "Evaldo, eu não sei de nada, eu estou no Recife, eu vim com o Renata para Recife, não sei de nada.", contou.

Diante das incertezas, Evaldo decidiu retornar ao Recife. “Saí imediatamente e voltei para o Recife. Era um momento de muitas dúvidas”, disse.

Segundo ele, ao chegar à cidade, foi na casa da família do ex-governador, mas procurou manter distância e seguiu para casa, onde escreveu um texto sobre o episódio. “Fui direto para casa e registrei aquele momento”, afirmou.

"Eu escrevi o artigo que saiu no JC do dia 14 de agosto de 2014 e que é esse que faço esse registro da perda enorme que é da família, que é dos amigos, que é de Pernambuco, mas que é sobretudo do Brasil", continuou.

O livro

Ítalo Rocha e Evaldo Costa lançam livro sobre Eduardo Campos

 

A publicação reúne 48 crônicas baseadas em episódios políticos e pessoais de Eduardo Campos, com relatos construídos a partir da experiência dos autores e de fontes próximas à trajetória do ex-governador.

Coautor da obra, Italo Rocha explicou que o livro foi estruturado para iniciar com o relato do acidente aéreo, seguido por uma reconstrução da trajetória política de Eduardo Campos. Segundo ele, a decisão foi tomada após discussão entre os envolvidos na produção, inclusive o deputado federal Pedro Campos e o ex-prefeito do Recife, João Campos, ambos do PSB.

Optamos por abrir o livro com esse episódio, trazendo uma espécie de mini biografia. A ideia foi situar o leitor desde o início sobre o que aconteceu e sobre a trajetória dele”, disse.

De acordo com Italo, a decisão editorial buscou dar mais clareza ao leitor. “A gente entendeu que era mais adequado começar pelo fato que marcou o fim da vida dele, para depois desenvolver as histórias. Isso tornou o livro mais direto”, afirmou.

Entrevista:

Livro Eduardo Campos

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