Otávio Gaudêncio | Publicado em 12/02/2026, às 11h44 - Atualizado às 12h32
Assim como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe) esteve presente em reunião, na terça-feira (10), com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para discutir as acusações feitas pelo pastor Silas Malafaia em um evento cristão na Arena de Pernambuco, no dia 31 de janeiro.
“Existe hoje uma coisa que é séria, é o chamado controle do pensamento pelo marxismo cultural. Se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ‘ideologia de gênero’, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado, debochado. Vocês têm que estar preparados para esse enfrentamento”, disse Malafaia, na ocasião.
O presidente da associação, Ricardo Oliveira, destacou a ação como "inaceitável" e disse que o líder religioso atacou "aquilo que os professores têm de mais nobre, a competência e ética profissional".
“Falas dessa natureza não podem sair sem uma responsabilização.”, destacou Oliveira.
O grupo de professores da UFPE também criticou a fala do ex-jogador e ex-vereador de Goiânia (GO), Túlio Maravilha, que, ao lado da esposa e da filha, defendeu que a universidade pública não se alinha aos valores familiares.
No vídeo. Túlio concorda com as declarações da mãe da jovem, que diz que a faculdade particular se alinha mais "aos nossos pensamentos e aos nossos princípios".
A associação destaca, também, que o descrédito social na universidade pública é um projeto político orquestrado para alienação, endossado e reverberado por líderes religiosos, ainda que não exerçam cargos políticos.
"André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, já publicou vídeos de pregação dizendo que o ambiente universitário poderia mandar filhos de fiéis “para o inferno”. Chegou até mesmo a perguntar se eles gostariam de ver suas filhas se tornarem “vagabundas” por estarem em universidades públicas", cita a Adufepe.
A organização de docentes da UFPE defende que "alegar que universidades são laboratórios de drogas e ambientes de balbúrdia é cortina de fumaça para deslegitimar as instituições responsáveis pela produção do conhecimento científico no país".
"É posicionamento de quem não deseja transformação social. De quem não deseja acesso e oportunidade para todos. Lorota para inibir a consciência crítica e o desenvolvimento equânime da nação", completa.
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