Bancos projetam desaceleração gradual do crédito em 2026, revela pesquisa da Febraban

Plantão Jamildo.com | Publicado em 02/01/2026, às 13h54

Aplicativo bancário para pagamento financeiro em pix. - Bruno Peres/Agência Brasil
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Carteira de crédito total encerrou 2025 com crescimento de 9,2% e apresentar desaceleração gradual em 2026, quando a expansão projetada é de 8,2%, segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O levantamento foi realizado entre 17 e 19 de dezembro, com a participação de 20 instituições financeiras, e indica manutenção de um ritmo robusto do crédito, mesmo em ambiente de juros elevados.

Na comparação com a rodada anterior da pesquisa, houve revisão para cima da projeção de crescimento do crédito em 2025, que passou de 8,9% para 9,2%. O ajuste reflete principalmente a expectativa mais elevada para o crédito direcionado, cuja estimativa subiu de 10,1% para 10,9%, impulsionada pelo segmento de pessoas jurídicas, que avançou de 13,6% para 15,3%, sustentado por programas governamentais. No crédito direcionado às famílias, a projeção também foi revisada para cima, de 8,4% para 8,7%, com destaque para a resiliência do crédito habitacional, apesar da perda de fôlego do crédito rural.

Na carteira livre, a estimativa de crescimento em 2025 recuou marginalmente de 8,1% para 8,0%. A revisão decorre da redução na expectativa para o crédito livre às empresas, que passou de 5,1% para 3,6%, em função de condições financeiras mais restritivas, elevação do IOF e concorrência com operações direcionadas e o mercado de capitais. Em sentido oposto, a projeção para a carteira livre de pessoas físicas avançou de 10,3% para 11,0%, refletindo o bom desempenho observado ao longo do ano, ainda que com piora na composição, marcada pelo aumento de linhas rotativas.

Para 2026, 73,7% dos participantes avaliam que o crescimento do crédito deve desacelerar, mas de forma gradual, enquanto 15,8% acreditam na manutenção do ritmo atual de expansão. A projeção para o saldo total foi elevada de 7,9% para 8,2%, com revisões positivas tanto na carteira livre, de 7,4% para 7,6%, quanto na direcionada, de 9,0% para 9,4%.

Segundo o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, a revisão das projeções acompanha o comportamento recente do mercado. “As divulgações mostram que 2025 foi marcado por uma moderação bastante gradual do mercado de crédito, que permaneceu com crescimento razoavelmente robusto, mesmo com o elevado nível da taxa Selic”, afirmou. Ele acrescentou que, em 2026, a desaceleração tende a continuar, “com o movimento sendo liderado pela carteira direcionada de pessoas jurídicas, dada a elevada base de comparação deste segmento”.

Política monetária e cenário macroeconômico

A pesquisa também aponta que 70% dos bancos esperam que o início do ciclo de corte da taxa Selic ocorra apenas na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março de 2026. A expectativa é de manutenção da taxa em 15% ao ano na reunião de janeiro, seguida por reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual a partir do segundo encontro do ano.

Em relação à inflação, metade dos participantes projeta que o índice em 2026 permaneça acima da meta, em linha com o consenso do mercado, influenciado por estímulos fiscais e de crédito. Outros 35% esperam inflação abaixo do consenso, sinalizando continuidade do viés de queda das projeções.

O levantamento indica ainda melhora na percepção sobre a atividade econômica em 2026. O percentual de analistas que projetam crescimento de 1,8% subiu de 36,4% para 55%, enquanto caiu de 45,5% para 30% a parcela dos que esperam desempenho inferior ao consenso.

No campo fiscal, nenhum participante prevê descumprimento da meta em 2026, mas 80% avaliam que serão necessárias medidas adicionais para atingi-la, com ênfase, para 45% dos entrevistados, em ações pelo lado das despesas, como bloqueios, contingenciamentos ou exclusões do arcabouço fiscal.

A inadimplência segue como ponto de atenção. A projeção para a carteira de crédito livre em 2025 foi mantida em 5,1%, enquanto para 2026 houve leve alta, de 5,1% para 5,2%, patamar próximo ao registrado pelo Banco Central em outubro, de 5,3%.

No cenário internacional, 60% dos bancos esperam que o Federal Reserve realize dois cortes de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds em 2026, diante da moderação da atividade econômica e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, ainda que a inflação acima da meta limite um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário.

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