Pesquisa da Quaest de julho revela avanço da governadora Raquel Lyra entre eleitores de Lula, uma das chaves para derrotar João Campos nestas eleições
por Jamildo Melo
Publicado em 28/07/2026, às 13h16 - Atualizado às 13h42
A pesquisa Quaest indica que Raquel Lyra ampliou sua presença entre eleitores de Lula, da esquerda não lulista e independentes, enquanto João Campos mantém vantagem no eleitorado lulista.
O levantamento reforça a disputa pela associação à imagem de Lula em Pernambuco e mostra que quase metade dos entrevistados ainda não identifica o candidato apoiado pelo presidente.
Os dados sugerem que o voto progressista seguirá como um dos principais campos de batalha da eleição estadual.
A pesquisa da Quaest de julho sobre as eleições em Pernambuco aponta para a continuidade da disputa pela imagem do presidente Lula no Estado, seja por João Campos (PSB) seja por Raquel Lyra (PSD).
Apesar de fortemente apoiada pelos bolsonaristas e a direita não bolsonarista, conforme atesta a própria pesquisa Quaest, a governadora Raquel Lyra consegue abocanhar 34% das intenções de votos dos eleitores lulistas, na projeção de segundo turno, de acordo com o levantamento. Subiu quatro pontos percentuais, desde abril.
O pré-candidato de oposição, João Campos, aparece com 56% das intenções de voto neste seguimento. Entre a esquerda não lulista, as intenções de voto somam 48%, depois de já ter estado em 63%.
Não por acaso, foi neste seguimento da esquerda não lulista que a governadora Raquel Lyra mais conquistou intenções de voto, desde abril. O saldo positivo é de 20 pontos percentuais, desde abril, tendo passado de 21% para 41% das intenções de voto.
Entre os eleitores bolsonatistas, cresceu 11%, passando de 61% para 72% das intenções de voto, desde abril. Na direita não bolsonarista, foram outros 6% de crescimento (58% para 64%). Aqui, o eleitor mais conservador parece não se importar o flerte da pré-campanha de Raquel com o eleitor de lula, desde que consiga derrotar o adversário do PSB.
Entre os independentes, o saldo foi 4%, passando de 42% para 46% das intenções. Entre os lulistas de carteirinha, amealhou ainda 4% de saldo positivo, passando de 30% para 34% das intenções.
Os números colhidos pela Quaest sugerem que o eleitor raiz de Lula é mais crítico com Raquel Lyra.
Entre independentes, esquerdistas não lulistas, bolsonaristas e direitistas não bolsonarista, foi o único seguimento que afirma, com uma maioria de 50%, que Raquel não merece ser reeleita (43% diz que sim, que merece).
Para efeito de comparação, entre os eleitores da esquerda não lulista, o sim atinge 56% (em abril era 45% em abril). Os eleitores que afirmam que Raquel não merece a reeleição caiu de 51% para 21%, no mesmo período.
É aqui, no que tem se convencionado chamar de voto 'Luquel', que o ex-prefeito João Campos precisa reagir e retomar terreno.
Conforme o levantamento da Quaest, 8% dos respondentes apontam Raquel Lyra como candidata de Lula. João Campos tem 44% de citações como candidato de Lula. Outros 48% dos entrevistados não sabem ou não responderam quem é o candidato de Lula.
No mesmo recorte, 23% apontam Raquel como candidata de Bolsonaro e 4% apontam João Campos. 71% afirmam não saber ou não respondeu quem é o candidato de Bolsonaro. Parece óbvio que o trabalho da equipe dos socialistas será jogar Raquel nos braços de Bolsonaro, com sua rejeição elevada.
Há outras curiosidades relacionadas ao nome do presidente Lula, no eleitorado local, na disputa entre João e Raquel.
Os eleitores de Lula (45%), a esquerda não lulista (39%) e os independentes (48%) querem mudar o que não está indo bem, enquanto a direita não bolsonarista (44%) e o eleitor bolsonarista (44%) quer continuidade, mostram as tabelas compartilhadas com o site Jamildo.com.
Os números da Quaest mostram ainda uma clara divisão na cabeça do eleitor lulista em relação ao nome de Raquel, que impacta o potencial de voto. 47% afirma que a conhece e votaria nela. 46% afirma que conhece e não votaria. Os 7% que não conhecem serão disputados pelas narrativas de campanha.
Os números atuais mostram que o trabalho de comunicação do governo, até aqui, tem ajudado a governadora a dialogar com o campo mais progressista.
Entre os lulistas, a aprovação do governo Raquel, que já foi de 62% em dezembro de 24 e caiu para 46% em agosto de 25, subiu agora para 58% das citações positivas. Entre a esquerda não lulista, está em 63% de aprovação. Entre os independentes, 71%. 79% entre a direita não bolsonarista. Os bolsonarista dão 90% de aprovação.
O levantamento da Quaest entrevistou 900 eleitores presencialmente entre os dias 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%. A pesquisa tem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-03810/2026 e PE-09649/2026.